|
|
Autor: Vários
Revista Oficina de Poesia
Género: Poesia, fotografia
ISSN: 1645-3662
Ano: 2005
Páginas: 148
Dimensões: 14.8x21.0cm
Descrição: Editorial
.regressa a palavra que se cria da sede //
o poema impossível sonhado na pedra //
o movimento que incorpora o incêndio na folha //
o sopro de um corpo sem rosto //
os sonhos de uma revista em lenta rotação //
como pássaros que ainda resistem //
como pedras vivas numa OFICINA de POESIA abrindo o espaço branco //
a boca incompleta do soluço //
sem pessimismo //
nem exageros no optimismo do tronco //
números e mais números em veios maduros //
num ciclo que se renova //
nem plenitude nem vazio //
entre o fogo e a água //
metáforas que reflectem sonhos outros //
outras vozes nas feridas da carne //
palavras //
golfos permanentes //
terra perfurada no dorso por //
noites e noites entre vozes //
número (5) intenso de leituras sob as margens // workshops em escolas de raízes //
alguns livros ao vento //
lembrando o linho vermelho //
sobre o granito das palavras //
sob a língua //
o puro prazer de respirar //
no anexo das vozes:
(neste número da revista Oficina de Poesia, mais uma vez a diversidade é o objectivo do material publicado. Revelam-se, mais uma vez, novos poetas do curso livre “Oficina de Poesia” e do curso de “Poética e Escrita Criativa”, dirigidos pela Doutora Graça Capinha, directora da revista. Novas vozes, novas escritas, novas reflexões, novos sentidos e sonhos, “vozes outras”, fomentando a poesia como uma experiência na criação da humanidade e da comunidade. Nessas “vozes outras”, alguns convidados, como o norte-americano Robert Creeley (recentemente desaparecido). No dizer da ensaísta norte-americana Marjorie Perloff, a par de John Ashbery, Creeley foi o maior poeta da sua geração, um poeta que esteve em Coimbra logo no Primeiro Encontro Interna-cional de Poetas, organizado pelo Grupo de Estudos Anglo-Americanos da Faculdade de Letras, em 1992. Emiliana Cruz, uma das poetas saídas do curso livre “Oficina de Poesia” prepara a sua tese de mestrado sobre este grande nome da poesia mundial, tendo também como projecto em curso a tradução dos Selected Poems, publicados ainda em vida do autor. Neste número contamos com um curto texto ensaístico e algumas destas traduções inéditas que Emiliana Cruz teve oportunidade de discutir e trabalhar em conjunto com Creeley, naquele que foi o último Verão na famosa casa do lago no estado do Maine.
Em tradução minha, trago também o colombiano Harold Alvarado Tenório, hoje uma das vozes mais singulares e refinadas da poesia contemporânea Colombiana e, actualmente, director da revista de poesia Arquitrave. Temos ainda, como nossos convidados, os portugueses Nuno Miguel Proença e Porfírio Al Brandão, os brasileiros Álvaro Alves de Faria e Júlia Machado, e, na imagem, Maria João Baginha e Filipe Cravo. De regresso, também os poemas de Emiliana Cruz e de Cristina Néry, que ousa uma re-escrita de Mariana Alcoforado, num monólogo encomendado para levar à cena.
O lapidar encantatório da pedra //
ainda o poema inteiro e nu/temperado em OFICINA de POESIA no aroma do silêncio //
na utopia seca da palavra //
na saliva dos olhos //
na respiração inicial //
a poesia tomando posição //
em função do acto de abrir fendas //
mesmo se em pequena escala (Bernstein) // mastigando o enxofre dos buracos //
os frutos espargindo //
e sob o muro de bronze //
o desejo anfíbio //
“entre nós e as palavras, os emparedados //
e entre nós e as palavras, o nosso dever falar” (Cesariny) //
sobre o azul do azul //
afirmo inteiro no eco //
entre nós e a poesia, o nosso dever fazer //
porque como nos ensina Duncan //
“só existe o tempo único //
só existe a promessa única //
só existe a página única // o resto fica em cinzas”
João Rasteiro
P.V.P.: € 6.36
|
|