10 Anos de Infantuna. Contributo para a Memória de um Fenómeno.
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de João Paulo Sousa

ColeçãoColeção Prosas d'Artes Várias
GéneroCrónica
Ano2002
ISBN978-9-72-857534-2
IdiomaPortuguês
Formatobrochura | 160 páginas | 17 x 24 cm

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Esta obra pretende ser um contributo para perenizar no tempo os acontecimentos que mais marcaram os 10 primeiros anos de vida da INFANTUNA.
Aqui se relatam experiências únicas, factos e momentos importantes vividos pelos Tunos e que deixaram marcas indeléveis nas suas vidas, na instituição INFANTUNA, bem como na própria cidade de Viseu.
Apesar de nesta obra apenas se encontrar o registo de uma parte do caminho percorrido, relatando fragmentos de Vida(s), julgamos estar a contribuir, mesmo assim, para que a memória permaneça bem viva.
É que, se a vida deve ser vivida olhando para a frente, também é certo que só pode ser compreendida olhando para trás.

João Paulo Sousa

Casado, Advogado, um filho.
Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra onde se iniciou como Tuno em 1988 na Estudantina Universitária de Coimbra.
Findo o curso, de regresso a Viseu, é membro fundador da Infantuna onde desempenhou vários cargos, sempre procurando acompanhar este fenómeno académico ao longo dos últimos anos.
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10 Anos de Infantuna. Contributo para a Memória de um...

de João Paulo Sousa

Apresentação

de: Filipe Saraiva

Haverá para os dias sem Memóriaoutro nome que não seja morte?
(Eugénio de Andrade, in O Outro Nome da Terra)


Esta obra, Dez Anos de Infantuna - Contributo para a Memória de um Fenómeno, da autoria de João Paulo Sousa, pretende ser um contributo para perenizar no tempo os acontecimentos que mais marcaram os 10 primeiros anos de vida da INFANTUNA.
Aqui se relatam experiências únicas, factos e momentos importantes vividos pelos Tunos e que deixaram marcas indeléveis nas suas vidas, na instituição INFANTUNA, bem como na própria cidade de Viseu.

Nesta obra o autor apresenta, como o próprio refere na Introdução, "uma visão parcelar e individual" (11) do percurso da INFANTUNA nestes últimos dez anos. Pelo que nos apercebemos, e como veremos mais adiante, foi uma década plena de actividades. O autor, que teve o feliz privilégio "de acompanhar a concepção, o nascimento, a infância, a adolescência e a maturidade" (11) desta Instituição Académica, nas comemorações dos seus 10 anos de existência, sentiu a necessidade de pôr em letra de forma aquilo que de mais significativo aconteceu nesta já longa viagem, registando informações e opiniões diversas que, assim, não se perderão nunca na noite dos tempos.
E esta necessidade de não esquecer está bem patente no subtítulo da obra: Contributo para a memória de um fenómeno. E isto de procurar manter, ou reavivar, a memória reveste-se de particular importância na medida em que o poeta Eugénio de Andrade, na obra O Outro Nome da Terra, pergunta:

Haverá para os dias sem Memóriaoutro nome que não seja morte?

É que o tempo é a coisa mais terrível para o ser humano. O tempo faz sempre o mesmo: desaparece continuamente, sem que possamos fazer algo para o impedir. O instante que acabámos de viver já não existe - desapareceu inexoravelmente. Fugiu para sempre e nunca mais o poderemos voltar a viver. O tempo foge - este é um facto inelutável... Porém, temos a memória... a memória do passado, e quando conseguimos manter essa memória bem viva estamos a contribuir para que parte de nós não desapareça. É isso que esta obra também representa - a possibilidade de, com ela, revisitar o passado.

Assim, o autor, nesta obra, começa por fazer referência ao surgimento do fenómeno das Tunas em séculos bem recuados, em locais distintos do nosso país, dando particular importância à proliferação destes grupos no nosso meio, nas últimas décadas do séc.XX, com o restabelecimento das praxes e tradições académicas e com o desenvolvimento exponencial do Ensino Superior em Portugal.
Até que chegamos à nossa bela cidade de Viseu e à génese da Infantuna. O autor conta-nos, na 1ª pessoa, como é que, no já distante dia 12 de Dezembro de 1991, na Rua Capitão Silva Pereira, se reuniram aqueles que vieram a ser os fundadores da "Tuna Académica Infantuna Cidade de Viseu" (26) e o espírito de que estavam imbuídos.
Deram-se os primeiros passos, titubeando, como acontece em tudo o que se inicia, mas sabendo bem o que se queria, até que o sonho de alguns, paulatinamente, se foi tornando realidade consolidada, bem à vista de todos, atraindo cada vez mais atenções.
Conta-se como foi adoptado o Infante D. Henrique como Patrono da Tuna, o próprio traje (e as polémicas que levantou...), quais as primeiras músicas, até à apresentação "na Quinzena da Amendoeira em Flor, em Vila Nova de Foz Côa, no primeiro de Março de 1992" (28).
Narram-se as impressões causadas com a primeira apresentação em Viseu, logo alguns dias depois; na estreia com outras tunas, no início de Maio, na cidade de Vila Real; e na apresentação formal à Academia de Viseu, por ocasião da semana académica, no Pavilhão A da Feira de S. Mateus. E as peripécias que envolveram o I Festival Internacional de Tunas Universitárias da Cidade de Viseu, no fim-de-semana de 11 a 13 de Dezembro, com a participação de várias Tunas portuguesas e espanholas, e que foi um êxito digno de nota, de tal forma que este Festival passou, anualmente, a fazer parte da vida cultural da cidade.
No ano de 1994, ficamos a saber que se sucediam os convites para apresentações oficiais e privadas, sendo indispensável a escolha criteriosa dos espectáculos. Em Julho desse ano, a Infantuna fez a sua primeira apresentação televisiva, um pouco acidentada, em Mangualde, na TVI, no programa "Luzes da Ribalta". E outras participações em televisão se seguiram.
Ficamos a conhecer quando a Infantuna se constituiu como associação de direito privado sem fins lucrativos, com os seus estatutos e escritura pública (31 de Outubro de 1994), quando obteve a sede administrativa (52), a primeira saída ao estrangeiro (1995), o lançamento do primeiro trabalho fonográfico do grupo (29 de Novembro de 1995).
O autor narra a ida até Terras de Vera Cruz, por ocasião da comemoração dos 30 anos da Casa de Viseu do Rio de Janeiro (13 a 27 de Julho de 1996). Visita que se repetiria, aliás, quatro anos mais tarde.
O mérito da actividade desenvolvida pela Infantuna foi reconhecido pública e simbolicamente com a atribuição da "Medalha Municipal de Mérito", por unanimidade, em sessão de Câmara e Assembleia Municipal (1997).
Ao longo desta década, a Infantuna participou em numerosos eventos académicos e sobretudo em Festivais, obtendo significativos troféus. Representou com brilhantismo a cidade, o Concelho e o Distrito de Viseu nas muitas actuações no país e no estrangeiro. Disto e muito mais nos dá conta a obra que agora surge à luz do dia. O autor teve o cuidado de ilustrar ao pormenor muito do que constitui a vida da Infantuna até ao momento, referindo aqueles factos tão peculiares do espírito académico e que dão o verdadeiro sabor aos momentos vividos, salientando sempre os valores da amizade, companheirismo, convívio e da solidariedade.
Saliento o facto de o autor utilizar um discurso organizado cronologicamente, com uma linguagem clara e lapidar, de muito agradável leitura, fornecendo um manancial enorme de informações, capaz de proporcionar momentos de verdadeiro hedonismo.
Este trabalho tem também o mérito de apresentar depoimentos de alguns sócios honorários e dos Presidentes de Direcção. Ademais, regista, para sempre, os nomes dos tunos que fazem ou fizeram parte da Infantuna (fundadores, aderentes, caloiros...), os sócios honorários, os corpos sociais responsáveis pelos destinos da Infantuna, desde o início até à actualidade. Apresenta ainda o texto dos Estatutos e do Regulamento Interno, além de um oportuno Álbum de Fotografias - duas dúzias que evocam momentos significativos do percurso efectuado nesta primeira década.

Apesar de nesta obra apenas se encontrar o registo de uma parte (ainda que muito significativa!) do caminho percorrido, relatando fragmentos de Vida(s), estou certo que o trabalho do autor contribui, inequivocamente, para que a memória permaneça bem viva. É que, se a vida deve ser vivida olhando para a frente, também é certo que só pode ser compreendida olhando para trás.

Para concluir, permitam-me que conte uma breve história, que li algures, e que se passou na Idade Média, época em que se construíram as grandes Catedrais.
"Num belo dia, um certo cavaleiro seguia viagem e, junto a um caminho, avistou três homens que trabalhavam cada um sua pedra. Perguntou ao primeiro o que estava a fazer, tendo obtido a seguinte resposta:
- Estou a trabalhar para ganhar o meu sustento e o da minha família.
Indagou junto de outro homem a mesma coisa, ao que este respondeu:
- Eu desbasto esta pedra a fim de que fique lisa e perfeita.
Ao chegar junto do terceiro homem, que estava a fazer a mesmíssima coisa que os outros dois, o cavaleiro perguntou-lhe também o que estava a fazer. Então o terceiro homem deu-lhe a seguinte resposta:
- Eu construo uma Catedral!"

Ora, as três respostas, dadas por pessoas que estavam a fazer precisamente a mesma coisa, demonstram que o importante é a nossa postura perante a vida, saber olhar mais além, para lá do imediatismo do quotidiano, perseguindo sempre grandes objectivos e projectos que permanecerão ao longo do tempo - como fez o terceiro homem interpelado pelo cavaleiro, que sabia estar a contribuir para a construção de uma Catedral.
Estou seguro que o Dr. João Paulo, ao escrever esta obra, assumiu conscientemente a postura do terceiro homem da história - tinha a noção que estava a contribuir, mais uma vez, e agora desta maneira, para a construção da bela "Catedral" que é a INFANTUNA Cidade de Viseu.

Filipe Saraiva