Anúncios & Cartazes – Um ano depois do 25 de Abril
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de Carlos Felipe Moisés

ColeçãoColeção Imagens de Hoje
GéneroCrónica
Ano2014
ISBN978-989-703-106-9
IdiomaPortuguês
Formatobrochura | 124 páginas | 16 x 16 cm

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Carlos Felipe Moisés
Quatro Décadas Mais Tarde

texto de Almeida Faria

 

A força do acaso e a geografia dos encontros inesperados sempre me surpreenderam, como se entre certas pessoas e lugares existisse uma rede invisível. Há afinidades que nunca chegam a revelar-se, outras que se revelam por coincidências bizarras.

Em Anúncios & Cartazes, Carlos Felipe Moisés conta que em mil novecentos e sessenta e dois, ao ler Rumor Branco, descobriu parentescos entre os seus versos precoces e aquele livro de um português desconhecido. Depois disso, passámos em diferentes épocas pelos mesmos lugares e cruzámo-nos com as mesmas pessoas. Mas só em mil novecentos e setenta e cinco, treze anos mais tarde, nos encontrámos na efervescência da
Lisboa revolucionária.
Já então ele “tropeçara” em Pessoa depois de “tropeçar” em Mário de Andrade, outra figura tutelar da sua irónica e austera poesia. A qual tem até hoje seguido o lema latino non multa sed multum, não volumosa mas valiosa, sabiamente contida, cuidada e concentrada em poucos volumes. Numerosos são, pelo contrário, os estudos, ensaios e antologias que dedicou aos seus autores, bem como as dezenas, talvez centenas de recensões aparecidas em revistas e jornais de ambos os lados do mar.
O que caracteriza tanto a sua prosa crítica como a agilidade de Anúncios & Cartazes é o rigor do olhar, a fuga ao palavroso e a procura de uma escrita exacta. Gostaria de pensar que essa auto-exigência de clareza é uma coordenada comum às nossas cartas de marear.

 

Carlos Felipe Moisés

Carlos Felipe Moisés nasceu na cidade de São Paulo, em 1942, e estreou como poeta em 1960, com A poliflauta. No ano seguinte passou a colaborar no Suplemento Literário de O Estado de São Paulo, com artigos e resenhas, e em 1962 ingressou nos cursos de Letras da Universidade de São Paulo, onde realizou o mestrado e o doutora­mento (1969-1972). Tornou-se professor universitário, tendo lecionado teoria literária e literaturas de língua portuguesa na Faculdade de Filosofia de São José do Rio Preto, SP (1966-1968), na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1967-1970) e na Universidade de São Paulo (1972-1992). Passou várias temporadas em Portugal e na França, como bolseiro, e nos Estados Unidos, primeiro como poeta residente em Iowa City (1974-1975), depois como professor visitante, na Universidade da Califórnia, Berkeley (1978-1982), e na Universidade do Novo México (1986). Tem par­ticipação em várias antologias de poesia, no Brasil e no Exterior, e recebeu alguns prémios, como poeta: Governador do Estado de São Paulo (Carta de marear, 1966), Gregório de Mattos e Guerra, da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Círculo imperfeito, 1978) e por duas vezes o APCA, Associação Paulista dos Críticos de Arte (Poemas reunidos, 1974, e Subsolo, 1989). Os seus mais recentes livros de poemas são Noite nula (2008) e Disjecta membra (2014).

Como crítico, tem-se dedicado especialmente à poesia de Portugal e do Brasil, dos séculos XIX e XX, com relevantes trabalhos sobre Antero de Quental, Cesário Verde, Fernando Pessoa, Mário Cesariny, António Maria Lisboa, José Gomes Ferreira, Vinícius de Morais, João Cabral de Melo Neto e outros poetas contemporâneos. Nessa área, os seus principais livros são Poesia e realidade (1977), Literatura, para quê? (1996), Poesia não é difícil (1996, 2ª ed. 2012), O desconcerto do mundo (2001), Poesia e utopia (2007), Tradição e ruptura (2012), Balaio: alguns poetas da geração 60 (2012) e Frente & verso (2014).

Em Portugal, publicou O poema e as máscaras: microestrutura e macroestrutura na poesia de Fernando Pessoa (Coimbra, Almedina, 1981; 2ª ed., Florianópolis, Letras Contemporâneas, 1999) e Poética da rebeldia: a trajectória militante de José Gomes Ferreira (Lisboa, Moraes Editores, 1983).  A Fernando Pessoa, dedicou ainda os livros: Mensagem: roteiro de leitura (1996), Álvaro de Campos: roteiro de leitura (1998), Fernando Pessoa: almoxarifado de mitos (2005) e Conversa com Fernando Pessoa (2007, Prémio FNLIJ, Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil). Organizou várias edições comentadas da poesia e da prosa pessoanas, no Brasil, e dividiu com Richard Zenith a curadoria da exposição “Fernando Pessoa: plural como o universo”, no Museu da Língua Portuguesa (São Paulo, 2010-2011), no Centro Cultural dos Correios (Rio de Janeiro, 2011) e na Fundação Gulbenkian (Lisboa, 2012).

É também autor de novelas para jovens, como O livro da fortuna (1992) e A deusa da minha rua (1996). Tradutor, verteu para o português, entre outros, Tudo o que é sólido desmancha no ar, de Marshall Berman, Que é a literatura?, de Jean-Paul Sartre e O poder do mito, de Joseph Campbell, assim como vários poetas modernos e contemporâneos, de língua inglesa, francesa e espanhola, reunidos no volume Alta traição. Recentemente estreou como contista com Histórias mutiladas (2010, Prémio Governo do Estado de Minas Gerais).

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