Cartas às Minhas Gentes no meu longo tempo
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de Maria Elisa Pinheiro

ColeçãoColeção Imagens de Hoje
Géneroepistolar; narrativa
Ano2008
ISBN978-972-8999-45-2
IdiomaPortuguês
Formatobrochura | 176 páginas | 15 x 21 cm

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Maria Elisa Pinheiro escreve. Escreve CARTAS.
Gosta de escrever cartas. E brinda-nos com elas.
Com elas se nos dá. Se reparte e revela. Partilhando o seu tempo. Ternura. Alegria. Indomável coragem. E bastante optimismo.
Cartas que se lêem. Se relêem. Se guardam. Se retomam, depois. Em momentos alegres. Em momentos mais tristes.
Procurando algum ânimo em quem, também sofrendo, o soube descobrir.
Cartas que nunca fogem. Não se evolam. Não voam. Não se reduzem nunca à rapidez volátil de um breve telefonema. Que ainda agora chegou e já mal evocámos, nos seus termos precisos. Porque se nos varreu. Como uma aragem rápida...
A autora escreve cartas.
Numa linguagem simples. Acessível. Correcta. Plena de vida. E sã. Eivada aqui e ali de finíssimo humor. De ironia incisiva. Algumas vezes cáustica, mas mesmo assim discreta. E jamais ofensiva.
A autora escreve cartas.
Que vêm do Passado. Entroncam no Presente. Apontam suavemente caminhos para o Futuro. Os certos. Imutáveis.
Os de todos os tempos.
Para isso as escreve.
Inquietando. Inquietando-nos... Convidando a pensar...
 

Maria Elisa Pinheiro

Maria Elisa Pinheiro nasceu no Porto.
Fez o Ensino Secundário no Porto e em Lisboa.
Cursou o Magistério Primário em Viseu. Como professora do Ensino Básico leccionou no distrito de Leiria e em Moçambique – Gaza e Maputo.
A partir de 1974 exerceu na Escola de São Miguel – Viseu, tendo colaborado como Orientadora de Estágio com a extinta Escola do Magistério, onde se formou, e com a Escola Superior de Educação, Unidade Orgânica do Instituto Superior Politécnico de Viseu.
Nos anos mais recentes tem-se dedicado com prazer exclusivo à escrita.
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Rigorosamente Proibidosindisponível

Rigorosamente Proibidos

de Maria Elisa Pinheiro

  • Escritos de Meninos de Viseu (Escola de S. Miguel, 1979/1992).
    Edição do Instituto Superior Politécnico de Viseu, 1999.

Apresentação/crítica ao livro "Cartas às minhas gentes no meu longo tempo" de Maria Elisa Pinheiro

de: Pompeu Martins

As CARTAS de Maria Elisa Pinheiropor Pompeu Miguel Martins



«Cartas - às minhas gentes no meu longo tempo», o novo livro de Maria Elisa Pinheiro, proporciona ao leitor uma incursão por inúmeros tempos, lugares díspares, gentes de agora e de ontem, línguas que vivem e outras que desaparecem, gestos, objectos, intenções, enfim, um recanto para o qual somos convidados a entrar e a sossegar ou desassossegar ideias, a incendiar memórias ou a libertar emoções.
Este livro, é um livro necessário porque é um livro que vem de muitas idades para a idade futura. Comecemos por aqui, uma vez que é sempre por aqui que, no fundo, começam os livros de Maria Elisa. Este apontar para o futuro tem o seu início na forma. A forma de carta dada a ler intencionalmente ao leitor que é sempre de um tempo a seguir.
O género epistolar é aqui desenvolvido, não na sua mais habitual aparição, mas antes num conjunto de cartas que se dirigem a pessoas concretas, mas também a ideias, a tempos, a lugares, na certeza de que através a leitura por outros, possam esses lugares, esses tempos, essas ideias responder com uma nova vida, a vida de quem reinterpreta lendo.
Como se dissesse: sabes, estou a escrever-te para que quando alguém ler o que te escrevo possa ser de ti uma nova existência, um novo corpo, uma nova prova de que estar vivo é muito mais complexo e duradouro do que a miserável idade que os humanos conseguem para o corpo que os carrega. São estas as cartas de Maria Elisa, a abrir eternidades nas coisas mais simples mas de substância, a negar desaparecimentos, não das gentes mas daquilo que as gentes imemorialmente têm semeado para as gerações futuras. São cartas preocupadas, comprometidas, combativas, cartas a rebentar de amor e de fé no que há-de ser o momento a seguir de uma humanidade em que acredita e para na qual não abdica de deixar a sua marca, uma marca de essencial simplicidade, de essencial genuinidade.
Escrever cartas para colocar um universo inteiro à disposição do outro, da comunicação, da integração da vida e dos seus fluxos maravilhosos na mágica circunscrição do irrepetível indivíduo. Escrever cartas para fazer perguntas, para nunca parar de participar nas respostas, para não abandonar nunca.
E vêm da infância as primeiras. Quando Maria Elisa escreve sobre a infância, escreve soltando a memória, mas escreve também para inscrever na infância que ainda não veio a sua raiz, numa inteligente gestão do tempo, de interpretação do tempo:



Eis a viagem destas cartas sobre a infância e de como o tempo nunca acaba em si mesmo, prolongando e modificando o dia presente, seja isso o que for…as árvores de ontem e as de hoje, as mesmas nas somas quase irreais que vamos trazendo para uma mágica aritmética dos nossos dias.
Mas ainda a infância das coisas construídas, dos brinquedos feitos por quem brincava, melhor, por quem queria brincar, pois a diferença entre ambos vai o querer, aqui ao serviço do desafio da imaginação e do desejo.



Na carta ao Major, obtemos um retrato de uma parte do regime, do deposto Estado Novo, na altura sofrendo ainda dos resquícios da última grande guerra, alimentando ideias de permanentes inimigos e de potenciais atentados ao sossego dos dias orgulhosamente sós:



Esta descrição solta, sentida e irónica sente-se ao longo de variadíssimas cartas, sendo uma vez mais demonstradora de um toque muito pessoal na forma como a autora constrói o seu universo literário, muito seu, também aqui com marca, como se exige a quem na escrita reserva o seu lugar e faz dele, cada vez mais naturalmente, algo de difícil réplica.



O quotidiano de outros tempos tem neste livro uma cadência quase musical que nos deixa em agradável confronto. As cenas descritas ao pormenor, como se nos fosse oferecido não só o seu conteúdo mas uma sempre implícita questão. Uma quase escondida lição de vida, tão escondida como devem ser as melhores intenções, como deve ser o que de mais fundo vai fazendo da vida a única experiência que temos para dar aos outros a seguir à nossa própria morte.



A professora que partia para Moçambique e começava do outro lado do mundo uma nova página com vista para paisagens diferentes. Outras seriam muito iguais ao do Portugal que deixara e que cultivava adorações e levantava mitos. Eis, neste livro, a expressão dessa distinção explícita e venerada de um regime de classes sociais acentuadas que consigo trazia inúmeras leituras sobre o que é perene e de como se construíam as fotografias interiores e exteriores do regime.



Há uma menção que se repete ao longo da obra, a menção do preço, do esforço para a conquista do que quer que seja, coisas ou emoções, prémios ou tristezas, tudo é apresentado com a indicação clara de que quase nada o acaso oferece, porque até o acaso se rodeia da interpretação que cada um de nós dá em função do que aprendeu e pagou pelos dias vividos.
Outra constante da obra é a evocação do empenho, da devoção, da entrega. Em muitos textos se assiste a como tais atitudes estão na base de uma vida povoada de momentos exemplares, de vitórias alcançadas. Vitórias que não são de vã glória mas de fundo reflexo nos dias futuros, pequenas coisas que se não esquecem e que ensinam que as grandes vidas são feitas do acumular de pequenas grandes lições, de pequenos grandes esforços. Eis um exemplo de como a vontade contaria as leis do tempo:



Um livro que defende acerrimamente a ideia que a riqueza no seu esplendor tem a forma intangível, intocável, desmaterializada. A forma das coisas sentidas, das coisas ditas, das coisas feitas, das coisas da memória. Eis o seu anúncio na Carta à Tia Maria, relembrando antigos almoços quando os frescos chegavam ao Xai-Xai e de como os maiores bens não são do mundo das matérias:



Ainda no âmbito conceptual, descobrimos uma expressão que considero salvadora e de enorme consciência acerca do que a vida nos proporciona e retira, deixando contudo a lição de um certo eterno que deverá povoar as nossas atitudes. Refiro-me à felicíssima expressão de «boa saudade».



É esta a diferença entre a perda e a saudade. A existência de uma saudade boa é a arma mais eficaz para a negação da perda, para a negação da imposta finitude, para um prolongamento de sorrisos, de próximos dizeres, ainda que em pensamento apenas, ainda que no coração apenas.
«Uma boa saudade», numa espécie de extensão do outro em mim, mas também de mim no outro, uma espécie de para sempre, uma espécie de pertença a um mundo vivido por uns tantos, pleno, cheio, magnífico por esses uns tantos.

Mas, este é também um livro sobre a interpretação da morte, da morte que nos interessa a todos, ou seja, daquela que ainda nos pode enriquecer a vida, esta, e uma outra que também existirá enquanto existirmos nos corações dos outros.



Uma carta, num dia difícil, a um amigo que tem espalhado oiro na vida da autora e por consequência e magia na de todos quantos somos e seremos os seus leitores. Uma carta a Jorge Fragoso, descobridor de Maria Elisa Piheiro escritora a quem a vida deve este gesto e a quem, eu próprio não me canso de agradecer este encontro e o facto de também me poder englobar na lista dos seus, dos que trata com cuidado extremo e dedicação incansável. No seio desta temática, solto ainda uma carta que me enviou num dos meus dias de perda, mas também de eterna e de boa saudade.



Que sábia descrição da vida e da sua dimensão. «Todos vivos em mim. Não comigo». Eis a afirmação que suscita uma pergunta, quanto tempo tem uma vida? E a resposta voltará a ser: o que nunca se saberá, por se não saber a duração dos corações que marcou e que soube habitar. Mas também, a vida que se possa estender a esses outros seres, que também são uma parte de nós, e que conseguiram influenciar outros corações, com aquilo que resultou do nosso encontro. E, por último, enquanto conseguirmos resistir à morte mais verdadeira que é a do esquecimento.

Uma vida que se expande e que continua é também uma vida de escolhas e de compromissos. Digamos que as escolhas e os compromissos são uma espécie de arca fundadora e de credível herança que alguma vez fará de nós a expressão que Maria Elisa escreveu com sendo de «boa saudade».



Na divisão deste livro de Cartas, entramos nas Cartas Sentidas com uma carta magnífica dedicada ao Prof. Manuel Pinheiro, companheiro de uma vida e avô de seus netos:



Que mais se pode esperar de uma autobiografia? Que razões mais serão precisas para afirmar a consistência de uma vida e de uma tão intensa e rica osmose entre o eu e o outro? Que definição mais pura do amor se poderá esperar?

Uma obra de profunda inteligência, de profunda humanidade, uma obra conseguida ao pormenor numa extensa e doce lição.

Querida professora, que bem nos fazem estes momentos, quão salvadores se tornam estas sub-reptícias aulas.
Terminando, adaptando Shakespeare à sua forma de estar no mundo, bem que podemos dizer que a vida é uma imensa sala de aula, onde cada um de nós é aluno, andando pelo tempo à espera de aulas felizes como esta, de professores assim tão fundos, tão em vigília para que nenhum de nós perca esta mágica e miraculosa oportunidade de ter vivido e ser orgulhosamente uma parte do mundo.