Como Poderia Esconder-me na Tua Face
-20%

8,48€
6,78€

de Hélder Gonçalves Pereira

ColeçãoColeção Imagens de Hoje
GéneroRomance
Ano2001
ISBN978-9-72-857524-3
IdiomaPortuguês
Formatobrochura | 108 páginas | 15 x 21 cm

Efetuar compra

É um livro que aborda a questão da perda de identidade, num mundo que não reconhece o indivíduo.
A história pretende retratar isso mesmo a partir das incidências da vida do personagem principal, um mundo desvalorizado, de sentido duvidoso e destino imprevisível, em que as pessoas, pura e simplesmente, não sabem o que são.

Hélder Gonçalves Pereira

Hélder Gonçalves Pereira é um jovem jornalista, com licenciatura em Filosofia, que reparte o seu tempo entre a escrita e o exercício da profissão no Jornal diário "O Correio do Minho".Um novo escritor de extraordinário talento, imaginação e capacidade de contar que se afirma já como uma figura promissora nas letras portuguesas.
Como Poderia Esconder-me na Tua Face-20%

8,48€
6,78€

comprar

Como Poderia Esconder-me na Tua Face

de Hélder Gonçalves Pereira

Apreciação crítica de Como Poderia Esconder-me na Tua Face

de: Mário Escoto

A "Palimage Editores" acaba de editar o romance "Como Poderia Esconder-me na Tua Face", da autoria de Hélder Gonçalves Pereira, um jovem jornalista bracarense, licenciado em Filosofia, que reparte o seu tempo entre a escrita e o exercício da profissão. Esta sua obra de estreia, que foi lançada na passada sexta-feira no Classic Jazz Bar, em Braga, aponta para um grande e promissor talento... Aqui deixamos uma breve nota sobre este romance, da autoria do nosso colaborador Mário Escoto.

O que existirá no vazio que temos que percorrer entre Sade e Freud? Sem dúvida este livro. Senão vejamos: "À medida que as tonturas se tomavam mais ralas e eu circulava entre os convivas com maior facilidade, reparei que os homens já subiam nelas e elas neles, surpreendentemente equipadas com vergalhos postiços, presos por cinturas de cabedal a volta das ancas, formando um carrossel que era, na realidade, uma grandiosa fornicadela colectiva" (pag. 68). "Daí para a frente, a avozinha começou a utilizar os meus serviços pelo menos três vezes por semana e acabou com uma regularidade praticamente diária (...) Também o grau de intensidade com que pulava em cima do meu ventre, ou debaixo dele, aumentou radicalmente de sessão para sessão" (pag. 17).
Existe também, além desse vazio preenchido, um processo evolutivo na personagem principal; a passagem paulatina da matéria corporal para o corpo etéreo acompanha um processo de decadência, que muitas vezes o herói julga haver vencido e ultrapassado, só que é um processo irreversível que não redunda na morte da personagem mas sim na permanência eterna em seu estado espectral. Fica-nos a interrogação se o estado espectral a que o arquitecto foi votado será superado ou não através de uma nova concentração da mente sobre si próprio. No universo do balcânico a realidade e a irrealidade confundem-se como fazendo ambas parte do mesmo real por onde Josh se movimenta e deambula, ora metamorfoseando-se, ora tentando inverter o fatal processo.
Creio que, para mim, a perda de consistência da sua materialidade corporal é devida aos seus excessos e perversões sexuais. Talvez o facto de a acção se passar num país do antigo bloco comunista tenha um sabor insconsciente de decadência e corrupção.
Existirá talvez um fundo moral de condenação dos danados? Afinal eles morrem todos devido à sua própria exaustão. A morte e o sexo desmesurado parecem tão intimamente ligados...
Ao leitor deixo estas questões. Deixem-se pois levar pelo insólito da novidade que este Iivro encerra. Um livro "fresco", com certos Iaivos de erotismo pincelados numa crítica mordaz ao capitalismo, tanto económico como psicológico. O corpo toma-se o capital, o capital do desejo por excelência, e, quando submetemos o corpo como nosso maior capital, está achado o processo de decadência e de putrefacção.
Talvez seja este livro extremamente puritano e conservador, porque nos alerta para o último perigo! A subversão do nosso próprio corpo intimamente ligada com a perda do mesmo. O arquitecto foi votado à perda dele próprio, imerso numa asfixiante alteridade pós-matéria.

Mário Escoto
in Diário do Minho, 19 de Setembro de 2001