Deus, Pátria e... a Vida
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de Gertrudes da Silva

ColeçãoColeção Imagens de Hoje
GéneroCrónica de guerra (colonial) / romance
Ano2003
ISBN978-989-703-108-3
IdiomaPortuguês
Formato 

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*LIVRO DISPONÍVEL EM EBOOK*

 

[Um livro que narra o percurso de um jovem que cedo conhece as agruras da guerra colonial e que sempre leva na memória os cantos da sua aldeia da Beira, bem interior...
Relatos por vezes sanguinários, em contraste com alguma pureza ingénua e original, revelam como pode passar-se dos "brandos costumes" para uma violência e crueldade de difícil entendimento. Momentos da nossa História recente que ainda nos incomodam mas que é preciso contar].
"Deus, Pátria e... a Vida", ironizando sem preconcebidas malvadezas com a emblemática tríade do Estado Novo, será mais um esforço, na tentativa de organizar este nosso mundo em que nos coube viver. E fá-lo pela via da revisitação a tempos, modos e lugares que com algum atrevimento poderíamos chamar de primordiais, não fora o caso de serem coisas de ontem e algumas ainda aí andarem. Porque se entendermos os três elementos daquela estatal legenda como outras tantas rédeas que mãos disfarçadas controlavam e manobravam, uma coisa parece certa: apesar de seguirmos agora montados no cavalo da liberdade, as rédeas ainda lá vão, mesmo que nas nossas mãos, a condicionar ou, pelo menos, a atrapalhar o comportamento da montada.
Mas, de qualquer modo, é de liberdade que falamos. E ao falar da Liberdade, quase instintivamnte e aqui, é o 25 de Abril que invocamos. E tanto o 25 de Abril como os seus obreiros, dos mais destacados aos mais humildades e ignorados, de algum lado vieram. Pois é também por aí que "Deus, Pátria e... a Vida" anda. E o Júlio, esse exemplo acabado do anti-herói que se fica pelo ser e pelo dever sem nada pedir em troca, bem poderá dasabafar com o cantor (José Mário Branco): «O que eu andei para aqui chegar».

 

Gertrudes da Silva

Gertrudes da Silva, de seu nome completo Diamantino Gertrudes da Silva, nasceu em Alvite, concelho de Moimenta da Beira, a 20 de Fevereiro de 1943. Em 1963 ingressou na Academia Militar, seguindo depois a carreira de Oficial do Exército, na Arma de Infantaria, até ao posto de coronel, encontrando-se agora na situação de reforma.
No tempo próprio cumpriu duas comissões por imposição na Guerra Colonial – a 1.ª em Angola e a 2.ª na Guiné. À margem das suas ocupações profissionais militares, em 1980 concluiu a Licenciatura em História na Universidade de Coimbra.
Para além de outras condecorações, foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade pela sua participação no Movimento do 25 de Abril de 1974.

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Deus, Pátria e... a Vida

de Gertrudes da Silva

Apreciação crítica de Deus, Pátria e... a Vida

de: Delgado Fonseca

“E se o que se passou comigo e com quase todos os outros que naquela guerra andavam, e que eram fruto, mais coisa menos coisa, da mesma criação, ajuda ou não a compreender como é que aguentámos aquele esforço durante treze anos, isso é que, em rigor, não sabemos; mas alguma influência deve ter tido”.

Deus, Pátria e ... a Vida

ALGUÉM tinha de o fazer. Algum de nós tinha de escrever um livro assim.O coronel Diamantino Gertrudes da Silva acaba de o publicar e apresentou-o há dias na cidade de Viseu, às gentes da sua terra, como era de justiça que acontecesse.
Digo que algum de nós, capitães de Abril, tinha de escrever este livro porque se impunha deixar testemunho de uma geração, de um tempo, de uma sociedade, duma guerra. Um livro que fosse o traço branco da linha de partida para um Portugal moderno. Que mostrasse as origens magmáticas da Revolução dos Cravos.
Sobretudo um livro que falasse a língua daquele tempo original, que escrevesse as palavras que usámos no início, a linguagem de infância de onde viemos muitos de nós, quase todos nós. Um livro que falasse como se falava na nossa terra, como se fala ainda nas aldeias que restam daquele mundo que vai desaparecendo.
Este livro era indispensável a muita gente, mas sobretudo a mais de um milhão de homens que fizeram a guerra colonial, e às Mães e esposas que cá deixaram, para que possam recapitular a história de cada um e entender a história de todos. Porque é tempo de reconforto numa identidade que só agora aqui se descobre.
Deus Pátria e ... a Vida é esse livro de memória em carne viva disfarçada em corrosiva humildade de propósitos.
De suave escrita mas de ácido humor, é agreste no que conta, porque as vidas que relata são simples mas densas como os barrocos graníticos das Serras por onde penou o seu autor. Por isso dói tanto ao ler: porque é verdadeiro no que expressa na linguagem rude poética e sábia de quem aprendeu da Vida na escuridão de Deus e da Pátria.
Solicitado pelo director de O Referencial para escrever este texto sobre o livro do Gertrudes aceitei por instinto de amizade, mesmo antes de o ler; mesmo sabendo que não sou bom de escrita. Mas uma já velha amizade de que não conhecia bem os fundamentos, deixava-me na expectativa de que se tratasse do livro que me faltava, do livro que me ajudasse a explicar-me e ao mundo onde vivi. Não me enganei, e ao lê-lo o mesmo irão sentir todos os que como eu nasceram e cresceram nos tugúrios das aldeias perdidas dum país perdido nas sombras de Deus e da Pátria – não das da família que essa existiu e nos foi suficiente.
Sem pretensões de crítico literário, volto-me para o que mais me tocou no livro.
Antes de mais identifico-me inteiramente com os espaço e os tempos em que se desenrolam os actos e a vida. Direi mesmo que podia ser a história da minha.
Conheço aquelas serras e aquelas terras como conheço as minhas mãos. Conheço os ofícios e os calos que deixam nas mãos. Conheci a mesma dor e, como tantos de nós, sofri da desilusão da descoberta de tantas mentiras com que nos mentiam para que continuássemos de cabeça baixa, humildemente, a esgravatar a terra ou a regá-la com sangue, para que tudo continuasse feliz na casa Portuguesa, com certeza...
Foi daquele mundo – ... que já não é deste reino – que numa gravidez de guerras africanas saiu o país que somos hoje. Por isso este livro é tão importante. E ainda assim teve que ser escrito por um de nós, que venceu a humilhação de ter de se desnudar perante todos, de contar alto e claro as suas e as nossas vergonhas, como no filme de Ingmar Bergman.
Sei que as novas gerações vão ter muita dificuldade em perceber o teu livro meu caro Gertrudes. O tempo já é outro, e não lhes será fácil de acreditar que os seus pais ainda comprassem azeite ao quartilho servido em peles de cabra com pelo e tudo e que saldos das fráguas do Leomil e da Gralheira tivessem ido, como bons cordeiros, armados de canhotas e burros do mato, fazer a guerra para defender a Pátria em impossíveis Áfricas nossas.
Também os outros, os que sempre tem voz e jeito para nos manter calados, não vão gostar do teu livro. Dirão que falas mal, que escreves pior, que metes merda por todos os cantos. O mais provável é que nem sequer digam nada. Ficarão, corno sempre, à espera que o vento leve o cheiro do estrume. Eles não sabem nem sonham que é com estrume que se aduba a terra para as boas colheitas.
Mas a maior parte dos homens e mulheres da nossa geração que vierem a ter a possibilidade de ler este livro – e é bem necessário fazer com que muitos o possam ler – irão ter o prazer de estar vivos e ter participado destas vidas. Irão voltar às origens e revisitar com o autor os locais da nossa infância onde sempre nos levam os sonhos nos intervalos das canseiras.
Não me atrevo a pronunciar-me sobre a qualidade literária da obra Deus pátria e... a Vida, mas ainda assim, não posso deixar de reconhecer que o jogo inteligente de viajar entre dois espaços e dois tempos tão diferentes entre si permitiu ao autor construir um mundo coerente e suficientemente forte para se afirmar como uma respeitável obra literária. Outros classificar-lhe-ão o estilo, eu destaco-lhe algumas belas metáforas, a maravilha do falar do povo, e a sabedoria que só a vida, plenamente vivida, vai ensinando.
Delgado Fonseca
in"O Referencial",
Revista da Associação 25 de Abril
de Janeiro-Março 2003, pp.25.