Dor Desigual
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de João Lourenço Roque

ColeçãoColeção Palavra Poema
GéneroPoesia
Ano2002
ISBN978-9-72-857533-5
IdiomaPortuguês
Formatobrochura | 50 páginas | 15 x 21 cm

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Não sei de onde me vem esta dor desigual
Em meus olhos desprendida, encoberta, anunciada
Tristeza quase mística, desordenada, transcendental
Em mim submersa, ramificada
Tristeza densa, flutuante, acorrentada
Correndo transversal na própria alma


João Lourenço Roque

João Lourenço Roque

João Lourenço Roque nasceu, em 19 de Outubro de 1945, no lugar de Calvos,remota e quase perdida aldeia da Beira Baixa. Aldeia de pastores ecamponeses, quase à beira do rio Ocreza, afluente do Tejo.
Da terra natal (na freguesia de Sarzedas, concelho e distrito de CasteloBranco) rumou à cidade, onde decorreram e ficaram sete anos de juventude eestudos liceais.
De Castelo Branco partiu, aos 17 anos, com destino a Coimbra e ao futuro,carregado de sonhos e ilusões.
Estudou, ensina e aprende história naUniversidade.
De Coimbra a Castelo Branco, do rio Mondego ao rio Ocreza sevão tecendo e desfazendo os caminhos, as vivências e as memórias de ontem ede amanhã, na confluência de múltiplas razões e emoções.
Digressões Interiores 2. 2011-2017

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HISTÓRIA E POESIAA PROPÓSITO DE DOR DESIGUAL, DE JOÃO LOURENÇO ROQUE

de: José d'Encarnação

HISTÓRIA E POESIA
A PROPÓSITO DE DOR DESIGUAL, DE JOÃO LOURENÇO ROQUE

Em recente colóquio na Faculdade de Letras, interrogava-se o Prof. José Mattoso sobre a História ser contemplativa. Envolve o termo forte carga filosófica; o texto dessa comunicação, publicado n'As Oficinas da História (Fac. Letras, Coimbra, 2002, p. 19-37), passeia-se, na verdade, por entre citações de mestres conceituados; mas, afinal, dá-nos a impressão de que o historiador poderia ser aquele passageiro que, no aeroporto de Orly, de malas ao pé, é estátua de que nem se dá conta e, quedo, vê as pressas, os vagares, o levantar e o descer das aeronaves, num tempo que não é seu… E contempla. E busca a razão das vidas corrupiantes em seu derredor.
Por isso, muito historiador faz pausa no espiolhar de manuscritos e se deleita nas palavras; por isso, o arqueólogo, porque mais em contacto com a fecundidade da terra-mãe, amiúde se refugia encostado ao tronco carcomido da oliveira e lavra o campo das letras. Que é, por exemplo, Conimbriga – O Chão Escutado, de Jorge de Alarcão, senão uma cidade morta a ressuscitar, poética, nas suas gentes que amaram e saborearam a vida? E, do Porto, Vítor Oliveira Jorge (Poemas Aboboraicos, Baião, 1988) e Armando Coelho (e os meus mitos, Vila Nova de Gaia, 1988), arqueólogos, não fizeram já essas incursões no universo da Poesia?
João Lourenço Roque, que foi vice-reitor da Universidade de Coimbra, catedrático de História, investigador do passado económico e social da Lusa Atenas, mormente na época contemporânea, dedica agora aos seus três filhos, pelas mãos da Palimage (editora de Viseu), Dor Desigual (Colecção Palavra Poema). Cerca de meia centena de páginas, onde vigiam «palavras à beira de outras palavras, na confluência de silenciosas tardes e madrugadas» (confidenciou-me).
A paternidade, com tudo o que ela implica: menina que cresce mulher; amores e desamores, nossos e deles:
Caminhos teus, em nossos caminhos
Caminhos nossos, em teus caminhos

Timor – e as madrugadas a afogar a noite; a trilhar caminhos seus...
Mãe – «Só tu adivinhas as palavras que não digo».
O mar, as caravelas, viagens e marés… As gaivotas – os longes e as liberdades de gritar em cima das rochas ao sol-pôr… Afinal, onde é que estás?
E porque deixaram assim aquela fonte? Não a escutam, senhores, qual património bem vivo?
Alentejo «de morenas ceifeiras» e «promessas de mais pão», onde é que estás? Algarve das «réstias de sol» a desprenderem-se «das amendoeiras em flor» – ainda existes? A Beira – «não sei que me prende à Beira»…
A inevitável passagem, romeiro, por entre mármores e cruzes, «tão incertos e breves os caminhos da vida».
E porque é que os rios já «correm para a nascente»?
Os emigrantes: «Portugal repetido, anónimo» e tantos sonhos!…
As andorinhas («Hão-de volver de tanto sul saudosas dos beirais do meu país», abandonado castelo (ai! Esta vontade de tudo fazer reviver, é o historiador que desperta!…).
Tudo sem título, cada qual que ponha o seu, remetido bem para o fundo da página mate, em timidez de alma que se desnuda e que não quer.
A saborear.
Sem pressas!


José d’Encarnação
in Jornal de Coimbra, 24 de Julho de 2002 (p. 7).