Imagens da beira-Paiva - 2.ª EDIÇÃO
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de Aurora Simões de Matos

ColeçãoColeção Imagens de Hoje
GéneroCrónicas
Ano2011
ISBN978-972-8999-85-8
IdiomaPortuguês
Formatobrochura | 244 páginas | 23 x 16 cm

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2.ª EDIÇÃO

Bastou-me ler "Paiva, nome de rio no feminino", após a dedicatória e apelo feitos pela Autora nas portadas desta Obra, para ficar ciente de que valera a pena aceitar extrair do mais íntimo uma nota que se pudesse chamar de prefácio, proémio ou outro.
Logo aqui se me deparou uma ponte a ligar sentimentos e a adubar sensibilidades que, acredito, a Paiva suscitou e alimentou.
(...)
Além das aldeias aqui nomeadas, cujas terras e casas beijam a Paiva, a narrativa poética que nos é oferecida pela Autora poderia aplicar-se a muitas e muitas outras, ressalvando-se, todavia, a enorme diferença e o distinto pormenor de não se conhecer outra Paiva.
Sabe bem seguir Aurora Simões de Matos através dos seus sonhos e dos diversos percursos que ela propõe, em total liberdade de caminhar ou voar, contemplando as miríades de cenas que se nos apresentam no palco extenso da Rainha Natureza; ficando-nos sempre incertezas e dúvidas quanto à mais sagrada, à mais divina, à mais sublime, que o são todas.
Que pátria esta, a das nossas infâncias!

Arménio Vasconcelos
(do prefácio)
 

Aurora Simões de Matos

Aurora Simões de Matos nasceu em Meã, Castro Daire, em 1942.
Publicou o primeiro livro de poemas, Poentes de mar e serra, Edição de Autor, em 1997.
Novo livro de poesia, Uma Palavra, Edições Sagesse, Viseu, 2001.

Em parceria:
Quando o Além me chamar – 2002
Páscoa Revisitada – 2005
Natal Renascido – 2006
Amor Razão Maior – 2007
Interveio nas Antologias:
Vozes do Douro – Tomo I – 2003
Vozes do Douro – Tomo II – 2004
com Edição da Câmara Municipal de Lamego.
Colaborou com a Crónica «Marcas de Uma Herança», para o livro Adelino Ângelo – Obra e Inéditos – Oficina de S. José – 2003.
É colaboradora regular dos seguintes jornais regionalistas: Notícias de Castro Daire – Castro Daire
Gazeta da Beira – S. Pedro do Sul
Jornal do Douro – Lamego


É detentora de:
Diploma e Galardão do Centenário do Nascimento de Maria do Carmo Rosário – Casa-Museu Maria da Fontinha – 1997
Voto de Louvor e Congratulação – Junta de Freguesia de Parada de Ester – 1998
Diploma de Reconhecimento ao Mérito – Elos Clube de Leiria, do Elos Internacional da Comunidade Lusíada – 2007
Diploma de Reconhecimento do Mérito – Museu Maria da Fontinha, Núcleo-Sede do “Museu do Território do Vale da Paiva e Serras” – 2009
Diploma da Academia de Letras e Artes de Paranapuã – Rio de Janeiro – 2009
Medalha Mérito Cultural «Académico Austregésilo de Athayde» – Academia de Letras e Artes de Paranapuã – 2009

«Aurora Simões de Matos é um desses seres que chegam discretos e disponíveis, se expõem sem reservas, sem redes; um desses seres que sabem encontrar caminhos próprios, afirmar-se diferentes, solidários, sensíveis; que têm na inteligência, na imaginação, na persistência, na criatividade, na liberdade, referências inamovíveis. (…)
Escrita de tonalidades imprevisíveis, a Obra desta Autora afirma-se uma descoberta irresistível».

Fernando Dacosta in Uma Palavra

«Os tempos, os lugares, os sentimentos são seus, é certo, mas a poetisa confere-lhes e imprime-lhes características tão sobre-humanas, míticas e universais, que a sua poesia se transmuta num cântico intemporal e num hino de vitória universal. (…)
Ler Aurora Simões de Matos é compreender a sua natureza anímica e inquietante, até mesmo provocadora, (…) naquilo que tem de mais profundo e secreto».

Macário R. de Almeida in Jornal do Douro

 
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Imagens da beira-Paiva - 2.ª EDIÇÃO

de Aurora Simões de Matos

  • Uma Palavra, Edições Sagesse, Viseu, 2001

O Retorno Necessário à beira-Paiva

de: Luís Costa

O Retorno Necessário à beira-Paiva
Por Luís Gomes da Costa
Presidente da Direcção da Binaural/Nodar

Quero começar esta minha intervenção com uma breve nota do que me liga a Aurora Simões de Matos. Conhecemo-nos pessoalmente recentemente, mas posso dizer que existe um longo rio de história que nos une: por um lado, a história de uma família de Meã, concelho de Castro Daire, a mesma de sua mãe e de meu avô materno e, por outro, o facto de os diversos ramos familiares de ambos terem cruzado bastas vezes o rio Paiva, tornando aldeias como Nodar, Sequeiros, Sete Fontes, Parada de Ester ou Meã parte de uma geografia íntima, alheia quase sempre a divisões administrativas do território.
São as paisagens ribeirinhas do médio Paiva, o aconchego de ambos os lados do seu vale, terras de confim, terras de passagem, terras de comunicação, terras de novos horizontes que se avizinham – seguindo a Paiva para Noroeste, Arouca, Castelo de Paiva e o Douro, o outro lado da serra do Montemuro a Norte, Cinfães, Resende e novamente o Douro, ou ainda, seguindo a mesma Paiva rumo à nascente, as terras aquilinas de Vila Nova de Paiva, Moimenta da Beira ou Sernancelhe.
Muitos de vós não me conhecem, pelo que abro um pequeno parêntesis para me apresentar, já que muito do que direi fará mais sentido se souberem o que faço. Na pequena aldeia de Nodar constituí à cerca de seis anos um centro de experimentação artística nas áreas das artes multimédia. Anualmente convidamos artistas internacionais para desenvolverem projectos de criação em estreita ligação com o contexto geográfico e humano da nossa região. Paralelamente desenvolvemos projectos de documentação sonora, da paisagem - ecologia sonora e da tradição oral - antropologia sonora. Damos ênfase ao som como elemento fundamental da paisagem rural, muitas vezes menosprezado em detrimento da imagem.
Vamos ao que interessa, em palavras curtas e espero que claras, como tento sempre fazer (talvez seja um defeito de profissão, pois nem todos sabemos ser poetas):
Com total sinceridade vos digo que “Imagens da Beira-Paiva” constituiu para mim uma grata surpresa. Surpresa essa que se manifestou a cinco níveis:

-Em primeiro lugar, porque um livro que se integra naquilo que se pode designar por “literatura regional tradicionalista” transcende em muito as limitações frequentes do género como o paroquialismo, o lirismo exacerbado ou a rigidez formal. Pelo contrário, não deixando de estar profundamente ancorado num contexto geográfico preciso – a beira-paiva – pressente-se no livro um enquadramento geográfico e estilístico muito para além dos limites da “minha aldeia”. Não nos esqueçamos que alguns dos nossos imortais escritores foram profundamente regionalistas – o nosso “vizinho” Aquilino, mas também Torga, Nemésio, algum Vergílio Ferreira, Camilo Castelo-Branco e muitos outros.

-Em segundo lugar, todo o livro é prenhe de impressões que remetem claramente para domínios contemporâneos como a psico-geografia ou o cruzamento sensorial (de cheiros, cores, formas e sons). Diria mesmo, estabelecendo um paralelo com a minha actividade de “caçador de sons”, que o livro constitui também um autêntico manual de escuta da paisagem. E não me estranha, porque ninguém melhor que os poetas consegue pressentir o lento rumor do mundo. E hoje quantos de nós empreendemos estas viagens sensoriais, neste saborear de detalhes que ajuda a compreender o tempo e o espaço de onde partimos, que habitamos ou que visitamos? Este livro é pois um grande ensinamento para estes tempos acelerados e globais.

-Em terceiro lugar, a profunda riqueza antropológica que emana de vários capítulos do livro: o trabalho agrícola, seus tempos, ritos e alfaias, a relação com os animais – de carga, de alimento, de companhia. a religião e suas apropriações populares, a língua, seus matizes, sotaques e vocabulários específicos. Dois exemplos paradigmáticos de uma riqueza incomensurável: o glossário de vocabulário local e a compilação de rezas para diversos males. De certeza que estes elementos antropológicos do livro me serão muito úteis para a realização de projecto educativos, artísticos e de documentação da memória oral.

-Em quarto lugar, tenho que referir o quão exemplar e raro constitui o permanente sentido de análise diacrónica do território incluído no livro. A memória aliada às transformações sociais, económicas e da paisagem, escapando assim a uma mitificação do passado enquanto tempo “ideal” que não volta mais. Por exemplo, os textos “Meã de sol a sol”, “Mudam-se os tempos” ou “Exemplos do empreendedorismo paradense” vão fundo na compreensão das dinâmicas actuais que explicam o desenvolvimento de umas aldeias e a contracção de outras, na análise das novas actividades e hábitos sociais que vão mudando paulatinamente a face destas aldeias. Compreender estas dinâmicas é fundamental para combater a resignação generalizada que muitas vezes se abate sobre as nossas aldeias da beira-Paiva.

-Em quinto e último lugar há que destacar o profundo sentido pedagógico de “Imagens da Beira Paiva”, o qual, a meu ver, devia tornar o livro, leitura obrigatória nas escolas dos concelhos rurais da região da beira-Paiva. Nestes tempos de globalização inapelável em que se vão colocando em causa todo o tipo de identidades, a aprendizagem das especificidades territoriais do mundo rural é fundamental para que o fluxo da memória não se interrompa e para que se restaure o sentido de pertença e de auto-estima das populações. No fundo, para que nenhum jovem tenha vergonha do sítio ou lhe coube nascer, o que não raras vezes acontece (como bem sei, já que contacto regularmente com jovens das nossas aldeias nos projectos educativos que desenvolvemos).

Depois da análise do livro, peço-vos licença para duas ou três considerações finais mais gerais, que tentam ligar a memória retratada em “Imagens da beira-Paiva” com o futuro desta e de outras zonas rurais de Portugal. Sim, porque o nosso rural tem que ter futuro, não apenas passado.
O profundo paradoxo do nosso rural é que é lembrado e até valorizado, mas não deixa de continuar muito abandonado. A revolução que nos falta fazer é portanto a revolução do retorno ao rural, por exemplo ao nosso rural da beira-paiva. Um retorno físico, de quem habita outras paragens ou um retorno mental, de quem foi perdendo o sentido de pertença, olhando por exemplo os apelos consumistas da cidade como um oráculo irrecusável.
O retorno que terá que existir não será nem poderá ser concretizado em moldes semelhantes ao que foi o passado: terá necessariamente que incorporar educação, empreendedorismo, inovação e comunicação com o exterior.
Mas esse retorno deve sempre retirar ensinamentos da memória do que fomos, porque no meio da pobreza e da luta árdua pela sobrevivência, existia nestas terras uma riqueza incomensurável: de autenticidade, de trabalho comunitário, de solidariedade, de frontalidade, de cultura própria. Tudo valores que se estão a perder nas sociedades contemporâneas e que colocam portanto o rural na linha da frente da defesa de um certo modo de vida de relação com os outros e de relação com a paisagem.Este é o sonho. E este é o projecto. Livros como “Imagens da beira-Paiva” de Aurora Simões de Matos e muitas outras iniciativas em curso pela defesa do património rural constituem pequenos núcleos de uma esperança que tem que existir e tem que ser perseverante, tanto quanto a dos nossos agricultores que desde tempos imemoriais souberam sobreviver e moldar de forma única a nossa querida paisagem da beira-Paiva.

Um grande bem-haja à Aurora e a todos os presentes,

Luís Gomes da Costa
15 de Julho de 2011
http://www.binauralmedia.org