Memórias da Alma e do Corpo. A Misericórdia de Setúbal na Modernidade.
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16,93€

de Laurinda Abreu

ColeçãoColeção Raiz do Tempo
GéneroHistória
Ano1999
ISBN978-9-72-978483-5
IdiomaPortuguês
Formatobrochura | 495 páginas | 17 x 24 cm

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Este livro revela a forma como os setubalenses viveram a primeira modernidade tentando perpetuar a sua memória com os olhos na Eternidade. Fruto do intenso labor e fina sensibilidade de uma jovem historiadora, esta obra é uma feliz expressão da nova historiografia portuguesa atenta aos problemas dos homens do nosso tempo.

Laurinda Abreu

Laurinda Abreu fez os estudos superiores na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra onde defendeu, em 1989, a tese de mestrado (A Santa Casa da Misericórdia de Setúbal de 1500 a 1755: aspectos de sociabilidade e poder) e, em 1998, a tese de doutoramento (Setúbal na modernidade. Memórias da Alma e do Corpo). É professora auxiliar na Universidade de Évora. A sua investigação tem-se desenvolvido no campo da História Social da Época Moderna. Publicou vários artigos em revistas e actas de colóquios de que se destacam os seguintes títulos: Escrituras matrimoniais em Setúbal no século XVIII; A assistência praticada pela Santa Casa da Misericórdia de Setúbal: os enjeitados; Confrarias e Irmandades de Setúbal na época moderna: redes de sociabilidade e poder; Setúbal na segunda metade do século XVIII: os anos da reconstrução; Confrarias e Irmandades: a santificação do quotidiano; O trabalho, o casamento e a caridade: algumas formas de subsistência material da mulher, em Setúbal, no século XVIII; Práticas de leitura em Setúbal no século XVIII: as livrarias particulares; Prostitutas e burgueses em Setúbal na segunda metade do século XIX; Misericórdias e padronização hospitalar: abordagem à história da assistência pública em Portugal.
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Memórias da Alma e do Corpo. A Misericórdia de Setúbal...

de Laurinda Abreu

Misericórdias em teses de doutoramento

de: Voz das Misericórdias, Julho 1999

Misericórdias em teses de doutoramento
Estudo da Prof. Doutora Laurinda Abreu, "Memórias da Alma e do Corpo", especificamente dedicado ao inventário e análise da "Misericórdia de Setúbal na Modernidade".

Tal e tanto tem sido o interesse despertado pelas Misericórdias no sector da cultura portuguesa, que o seu estudo tanto em investigação histórica como em análise de problemas, já vai constituindo tema de fundo, e do mais notado interesse, para os bons espíritos de estudiosos e dados ao gosto da boa cultura fazerem Santas Casas assunto e problema digno de serem abordados em teses de mestrado e de doutoramento, para não se falar do inesgotável interesse que tem merecido a investigadores para monografias de notado interesse mais local e regional.
E, assim, temos o gosto especialissimo de sublinhar hoje o notável estudo (mais um) da Doutora Laurinda Abreu, "Memórias da Alma e do Corpo", especificamente dedicado ao inventário e análise da " Misericórdia de Setúbal na Modernidade"; e na sequência de outros também já publicados sobre a mesma Santa Casa, como " A Santa Casa da Misericórdia de Setúbal de 1500 a 1755: aspectos de sociabilidade e poder", já nestas páginas referido oportunamente, bem como outros estudos: "A assistência praticada pela Santa Casa de Setúbal: os enjeitados", "Misericórdias e padronização hospitalar: abordagem à história pública de Portugal".
E tudo isso a par de outros diversos estudos em que a ilustre investigação e professora auxiliar na Universidade de Évora tem mostrado uma muito especial devoção e paixão académica tanto pelas Misericórdias, como por temas com elas muito directamente conotados como são Confrarias e Irmandades.
Raros documentos como este nos têm caído sobre a mesa, para nosso estudo e deleite muito pessoal, dada a riqueza de informações, pesquisa documental e análise erudita de tantas questões de ordem histórica como sociológica respeitantes às nossas Misericórdias.
Sem desprimor por outros trabalhos de outros autores que gentilmente nos têm feito chegar às mãos trabalhos seus, e que merecem a nossa incondicional atenção, este da Doutora Laurinda foi por nó considerado certamente o melhor estudo aparecido nesta data feliz e jubilosa dos V séculos das nossas gloriosas, mas também por vezes martirizadas, Santas Casas da Misericórdia.
Mas, como diria o nosso grande Pessoa: "Tudo 'valeu' a pena...". E demonstrou-se bem como a alma das nossas Santas Casas "não é pequena".
Fernando da Silva Correia – o grande mestre das Misericórdias, já tinha dito em 1940 que "sobre as Misericórdias já então se tinha escrito tudo".
Mas viria a adivinhar o grande "Mestre" que muito havia ainda para dizer, e felizmente está a ser dito, e por quem pode e sabe.
Esta tese da Doutora Laurinda é disso clara e eloquente demonstração, e não só demonstração, mas, sim, erudita "ousadia", no mais nobre sentido do termo, como justamente o sublinha o ilustre prefaciador Professor Doutor António de Oliveira, mostrando ainda que, se muitos, e até divergentes, podem ser os pontos de vista pelos quais outros queiram e possam , e já tenham até tentado, analisar a problemática das Misericórdias, numa verdade estão todos convergentes e se encontram comungantes: o alto e providencial de acção social e apostolado assistencial a que uma rainha como D. Leonor deu rosto histórico, e de méritos indesmentíveis.
Podem discutir-se, contestar-se mesmo, certos modos de actuação de alguns, ou até mesmo muitos Mesários responsáveis por uma Misericórdia; mas a verdade é que as Santas Casas superaram gloriosamente todos os maus ventos da história, e só Deus sabe com que mérito, para demonstrarem, e bem à evidência, como são hoje tão actuais e virtuosamente intervenientes na vida do povo português, como quando nasceram e se expandiram por todo o mundo, acabando por constituir o que já alguém chamou "um evangélico abraço dado a todo o mundo, mas em estilo lusíada", tão quente e meritório, que ainda hoje se mantém e é saudosamente lembrado nas mais díspares latitudes do globo.
Esta tese da Doutora Laurinda Abreu, muito embora mais estreitamente ligada à Misericórdia de Setúbal, também em efeméride de jubiloso V Centenário, fornece nas entrelinhas, que não só no contexto e nas notas de fundo de página, como também na riqueza documental que refere, pistas e achegas que podem muito bem servir de furos de aprofundamento para novos trabalhos de investigação, sobretudo no respeitante a confrarias e Irmandades que, ao longo da nossa história, são também, senão memórias a recuperar, pelo menos fontes doutrinais e informáticas a estudar.
É que, se há povo que sempre se viu envolvido no abraço de tantas Confrarias, Irmandades e Ordens Terceiras da mais diversa invocação, virtude e influência, foi o povo português, que por mais que alguém ouse contestá-lo, sempre pautou a sua vida segundo a letra e o espírito de um Compromisso do mais saudável dos fraternalismos. Pode e deve até dizer-se que, mesmo quando no calendário se assinalava a celebração de algum mistério religioso e sagrado, o povo, que sempre esteve a sua forma específica de celebrar a sua Fé (mesmo sem grande inteligência dos seus conteúdos dogmáticos e teológicos) sempre o fez em clima de Festa, mas também sempre conotada com gestos , ritos e acções do Fraternalismo mais solidário. È o que se poderá chamar uma equação em três "F"s: Fé, Festa e Fraternalismo.
E não sublinhava tudo isso em qualquer irmandade? O estudo preciso e precioso da Doutora Laurinda , embora sublinhando mais a área de Setúbal – a Misericórdia preferida de outros – abre horizontes para muito mais.Estão de parabéns, não só a ilustre Autora, como a Santa Casa de Setúbal, e os leitores que tiveram acesso à leitura desta magnífica tese.

Voz das Misericórdias, Julho 1999