Memórias de 'uma' Escola
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de Maria Elisa Pinheiro

ColeçãoColeção Educatio
GéneroEducação. Ensino. Pedagogia. Ética
Ano2011
ISBN978-989-703-015-4
IdiomaPortuguês
Formatobrochura | 160 páginas | 15 x 21 cm

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Memórias. Relíquias.

 

Histórias vividas e histórias vivas, cujas personagens cruzam ainda os dias e também os caminhos de quem as viveu e agora as relata.

 

Possam tais escritos suscitar saudade. Recordar valores. Alegrar os muitos que um dia os viveram e talvez... quem sabe?... Ser ainda úteis.

Maria Elisa Pinheiro

Maria Elisa Pinheiro nasceu no Porto.
Fez o Ensino Secundário no Porto e em Lisboa.
Cursou o Magistério Primário em Viseu. Como professora do Ensino Básico leccionou no distrito de Leiria e em Moçambique – Gaza e Maputo.
A partir de 1974 exerceu na Escola de São Miguel – Viseu, tendo colaborado como Orientadora de Estágio com a extinta Escola do Magistério, onde se formou, e com a Escola Superior de Educação, Unidade Orgânica do Instituto Superior Politécnico de Viseu.
Nos anos mais recentes tem-se dedicado com prazer exclusivo à escrita.
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Rigorosamente Proibidosindisponível

Rigorosamente Proibidos

de Maria Elisa Pinheiro

  • Escritos de Meninos de Viseu (Escola de S. Miguel, 1979/1992).
    Edição do Instituto Superior Politécnico de Viseu, 1999.

O Professor pessoa e o Aluno pessoa- contributos para uma educação de proximidade e compromisso.

de:

Apresentação de “Memórias de uma Escola”
De Maria Elisa Pinheiro
Viseu, 11 de Fevereiro de 2012
 
Maria Elisa Pinheiro, professora. 83 anos.
Professora no activo. Professora nas horas todas, na hora de ser mãe, avó, companheira, amiga. Professora em casa, na rua, nos cafés, na mercearia, em Viseu, Moçambique, na Póvoa de Varzim, em Lisboa, em Fafe, por esse mundo, por este mundo. Professora onde está e onde não está. Professora olhos nos olhos. Professora na web. Professora na palavra, no gesto. Professora na essência da alma humana.
O regresso dos livros de Maria Elisa é para muitos de nós o regresso das estações essenciais, pela forma tão funda que a sua narrativa suave nos transporta. É uma volta pelo tempo e pelo espaço onde somos forçados a entrar com o nosso tempo e o nosso espaço, às vezes tão distantes, mas no fim tão próximos, por sermos parte da parte magnífica do mundo que é a Humanidade.
O ensino tem, como todas as actividades, um lado de imprevisibilidade e de mistério que o distancia daquilo que se aprende nas paredes das universidades. Ser professor é ser agente do tempo e da circunstância, é estar disponível para a surpresa, para o desconhecido.
Nessa surpresa cabe a interpretação de um número infinito de circunstâncias, entre elas o humor. O uso do humor na didáctica é algo que merecia ser mais estudado para ser mais vezes e mais bem utilizado. Rir no acto de aprender é algo de apelativo e motivador, desde que usado com inteligência  e sentimento de justiça e equidade. Neste livro, “ Memórias de uma escola” é contada uma passagem onde a professora questiona os seus alunos sobre os relevos de Moçambique, esperando naturalmente uma resposta que tocasse os ensinamentos que proporcionara sobre Geografia.
“ RELEVOS DE MOÇAMBIQUE”                                                     
Pensou. Tornou a pensar… Relevos de Moçambique… Relevos de Moçambique… Tem de ser gente importante… E saiu bela a resposta: - Relevos de Moçambique: o Padre. O Médico. A Mestra.
Ora, a evidência de uma resposta errada, ou pelo menos desviada da expectativa do Professor, poderia ser uma ferramenta de utilíssimo uso para alcançar objectivos de aprendizagem. A gestão do erro é de extrema importância e, consoante o seu uso, a consequência pode tornar-se numa mais valia ou num trauma. Se o erro for evidenciado com algo que é próprio da condição de quem vive, poderá ser usado de uma forma divertida e envolvente, como um patamar de aprendizagem, caso contrário, se for remetido a uma particularidade tal que humilha o individuo que erra, só por sorte aproveita ao errante e raramente tem na sua vida uma consequência de efectiva aprendizagem, sendo mais trauma que lição. Nunca se deve perder de vista que aprender também exige o seu espaço de paz e de vontade e não tanto de vergonha e de esconderijo.
Esta questão de saber lidar com o erro tem neste e noutros livros de Maria Elisa uma certa recorrência pela forma como reflete e como atribui às pessoas essa capacidade de crescimento e afirmação que só se não vê quando se retira das pessoas o seu efectivo potencial e a sua efectiva capacidade de se mudar e mudar o mundo.
No início desta obra encontramos a seguinte referência:
“Correu muita, muita água debaixo das pontes todas. Mimaram. Minimizaram muitas das nossas crianças. Avaliaram-nas mal. A elas e ao que elas eram. Às suas capacidades. E tornaram-nas menores por tanto infantilizar.”
Tenho usado com regularidade este mesmo pensamento. A infantilização das crianças tem levado frequentemente à simplificação das crianças, com o querer condenar ao simplismo o que as crianças fazem ou do que são capazes. É evidente o resultado desta ideologia, que tornou muitas vezes o mundo das escolas, das casas e das ruas como palcos de preconceito condenando cidadãos de tenra idade a privações de estímulo que deveriam potenciar as capacidades e sentido de responsabilidade que efectivamente têm. A narrativa que fomos transmitindo a esta que é a geração mais bem preparada, em termos académicos, de sempre, não corresponde à realidade, fazendo com que esta nova geração seja, ao mesmo tempo, uma geração desencantada.
Se as gerações anteriores passaram fomes e medos, esta geração, que pode ter mais bens materiais, tem a grande cruz diária que é a absoluta necessidade de inventar um mundo novo onde o seu ser e o seu saber sejam úteis a um projecto colectivo verdadeiramente inovador e misterioso. Esta alerta de Maria Elisa no seu livro vem muito a propósito e enquadra-se numa visão geracional que pretende dignificar e preparar os novos corações para o novo mundo, sem os infantilizar e, com a verdade, estimular os seus talentos e aumentar as suas aptidões para agarrar desafios e com coragem vencer como outros noutros tempos, venceram e superaram dificuldades, não menores, mas diferentes.
E porque este é um livro de aprendizagem pela memória, façamos aqui uma volta por um tempo e por estilo de educação que tinha de sobreviver aos métodos e aos constrangimentos que um regime de ditadura impunha ao misturar desregradamente ideologia e ensino.
A carreira desta nossa professora atravessou o período do Estado Novo. Por isso, teve de se reinventar e ser professora convivendo com um país de miséria frequente, material e moralmente falando, um país em que se entrecruzavam os dias com apelos ignorantes de que, entre muitos outros exemplos, encontramos o estímulo e a normalização do consumo de álcool nos tão evidentes e famigerados cartazes de Salazar onde se lia: “ Beber um copo de vinho é dar o pão a um milhão de portugueses”. A esse respeito Maria Elisa relata:
“O álcool era um flagelo. E não faltavam crianças que chegando manhãzinha já cheiravam àquele vinho que fora do matabicho.
A professora pregava os malefícios do vinho. Mas aquilo eram hábitos enraizados nas famílias. Um dia um moço explicou com as palavras da mãe:
- Bebemos pela manhã porque temos muito frio e o vinho nos aquece.
- Bebemos também à noite para irmos quentes para a cama. É o nosso aquecimento.
E a professora… calou-se”.
A dureza deste silêncio não tem preço. Porque este silêncio calava a fome de um país, a miséria de um povo, a falta de conhecimento, de saúde pública. Quanto mais caberia no coração de uma professora que guardava como quase filhos aqueles alunos que lhe traziam à sala de aula o desconforto de vidas tão duras que o amor e o coração não chegavam?
Mas foi também um tempo em que a higiene não abundava, o que não era exclusivo das classes mais pobres. Como a adversidade aguça o engenho, saliento esta parte do livro:
Terminava uma moça a sua actuação quando a colega de apoio veio dizer-me ao ouvido:
-Passeia-se um piolho no pescoço de X…
Logo havia de ser um dos cinco mais tristinhos daquele nosso conjunto!
A turma era jeitosinha. Uma turma democrática. Com meninos e meninas dos mais diversos extractos. E o primeiro quesito para tudo correr bem era a democracia. A nossa democracia. Todos, mas todos iguais. Iguais iguais, iguaizinhos. Com chance de ascender ao que de melhor tivéssemos  para lhes proporcionar.
Uma das coisas mais lindas que fiz nesta minha vida.
Não ia magoar o moço. Muito menos tornar público o que estava acontecendo. Só recomendei prudência. E aconselhei sobre a forma de eliminar o objecto: discreta e naturalmente. Sem chamar a atenção. Resultou tão bem tão bem que nem X se apercebeu.
No intervalo um aviso:
- Encontrou-se um piolho aqui na sala. Pode ser que haja mais. Não vamos permitir isso. Vai ser preciso pedir às mães o favor de verificarem as vossas cabeças. No caso de terem sido atingidos por essa doença, que se chama pediculose, têm uma semana para arrumar o assunto.
Segunda-feira passaremos revista. Tenho a certeza de que tudo se resolverá até lá. Assim evitaremos casos de evicção – e expliquei o que era.
Na hora de passar os trabalhos de casa já estava tudo organizado:
1 - Verifica o que se passa na tua cabeça
2 – Trata dela caso seja necessário
3 - …
E até já havia um textozinho para explicar e explorar:
“ O Piolho
O piolho é…”
Explicava quem era. Os perigos que encerrava. A forma de tratar. O produto adequado. A grande conveniência de cortar o cabelo. E uma frase forte, intencionalmente aposta: Quem tem piolhos é piolhoso.
Sobre o mesmo texto e durante o resto da semana incidiram exercícios interpretativos e gramaticais. Pesquisaram-se substantivos. Indicaram-se adjectivos. Fizeram-se famílias de palavras. Sinónimos. Antónimos. E não sei mais o quê. Chegou-se ao tifo exantemático!                                          
Tudo isto alertou e resultou.”
As decisões deste género são inspiradas não apenas pela instrução das regras apreendidas, mas também pelo cultivar permanente de um humanismo esclarecido que, sendo ditado pelo coração, não deve ser separado da missão que marca o dia dos profissionais de qualquer área. Este decidir sobre a fragilidade humana é um acto de tal abrangência que ultrapassa as clássicas fronteiras do estar à esquerda ou à direita na régua política, dentro ou fora dos cânones religiosos. Decidir no espaço dessas trincheiras sensíveis é ter a perfeita consciência de que as batalhas da realização humana aqui se discutem muitas vezes. Um gesto salva. Uma palavra salva. Pena que muita da nossa modernidade esteja obsecada pelo formalismo das correntes e das regras que se deixa pouquíssimo espaço para o improviso esclarecido, para a invenção da resposta, quando cada pessoa é uma resposta e uma pergunta diferentes e nem todas as correntes pedagógicas têm o dom de ter destas o rol absoluto, a receita perfeita. Como em tudo, e em todas as profissões, o caminho faz-se nesta troca de notória surpresa entre perguntas e respostas de seres maravilhosamente diferentes.
A noção de missão é tratada neste livro como elemento central. Mas com a consciência de que a missão é algo que não se esgota na individualidade, neste caso do professor. Missionário e objecto de missão são um só, declarando intenções, clarificando regras, criando empatias e confrontos, criando a criação.
A corresponsabilização do professor e do aluno no processo de ensino aprendizagem deve sentir-se não apenas no plano das regras mas também e sobretudo na definição de uma identidade que é partilhada por natureza.
“ Ir à escola era um descanso. Um pequenino conforto. Um lugar para crescer e também para conviver. E ir ficando a saber como ia crescendo o Mundo e o que nele se passava.
Estavam lá as professoras. Heroínas dessas eras. Únicas nesse servir que ia do alfabeto até ao como vestir. Até ao como comer. Até ao como viver. E à saúde. À doença. Ao saber e ao pensar como seria o futuro dos que tinham condições para poder avançar. E até dos que as não tinham. Mas precisavam de amparo para um melhor viver.”
Da atitude, que as regras institucionais não abrangem, levanta-se um horizonte longínquo que tem tanto de belo como de perigoso, de desafiante como de angústia. Perceberá isto o professor que arrisca a não ser neutro, a não ser padronizável, que se não retira da sala de aula e se apresenta enquanto ser humano que ama, que se revolta, que cuida, que falha, que entristece e rejubila. É desta decisão de ser Professor-pessoa que Maria Elisa nos tem relatado nos seus livros. E é dessa imperdível oportunidade que nos fala numa escrita tão sua, tão suavemente profunda, tão inteligentemente humorada, tão dedicada ao cidadão de amanhã como referenciada no cidadão de ontem.
Contudo, o desafio de não nos demitirmos de nós no que fazemos é algo que aumenta a responsabilidade e obriga a que o conhecimento e respeito de regras não sejam desmerecidos. Educar não é só um acto de instinto e de sensibilidade, mais ou menos apurada. É também planeamento, cálculo, avaliação, adaptação com metodologias concretas e testáveis nos seus resultados.
“Foi a partir desse dia e com a autoridade que dele me veio (dele, dia, claro está, que eu não era coisa nenhuma nem nunca fui directora de escola neste continente e não me competia organizar nada) que passei a escrever no quadro a minha própria agenda, sempre que havia reunião. Por norma, e para ocupar bastante tempo, a minha AGENDA DE TRABALHOS andava sempre à volta de dez, onze pontos. O Livro da Actas deve estar ainda lá e pode provar isso. Agendava tudo o que descobria e dizia respeito à vida da escola.”
E é nesta dualidade de competência prática e competência emocional que a autora nos transporta dando sucessivos exemplos que a outros podem acudir na invenção de cada um no papel de mestre.
“ E de repente… eis que me vi e senti… presa. Segura. Agarrada por trás. Entre dois braços fortes. Dois fortes braços negros.
Não ganhei para o susto! Mas logo sossegava:
- Professorzina! Professorzinha! Quem sou? Quem sou?
- Manuel Pina!
E era mesmo! Chorando e rindo como uma criança. Todo ternura. Todo sorrisos. Todo agradado de ser lembrado.
- Que bom! Que bom! E está tão linda! Mais linda agora!
Falou. Falou… Esteve em Londres. Está no Algarve. De cozinheiro. Tirou o curso.
- Então a música?
- Não pôde ser.
Falou também de Domitila. E de Amarílis. Partiu chorando. Depois de abraços. Beijos sem fim. E do espanto de quantos viram tais efusões.
Já caminhava. Voltou atrás:
- Sabe os meus anos? A minha idade?
- Quarenta anos.
- Certo! Certinho!
Feliz por isso. Por ser lembrado. Seguiu caminho. Miúdo grande. Pai de família. Uma ternura das que me encanta”.
 
Estas “Memórias de uma Escola” são também o testemunho daquilo que ainda está por fazer na sociedade portuguesa e europeia: um ensinar com outra língua, recorrendo a outras ferramentas, a outros métodos de envolver as pessoas na descoberta do seu próprio conhecimento. O conhecimento é algo de muito pessoal e de muito íntimo. Raramente se pensa nisso. O que sabemos é o que somos, mais os métodos com os quais aprendemos e que vão, também eles, fazer parte desta aventura de ter vivido e partilhado.
“ Talvez falte só este trabalho que agora reformulo, destinado aos vindouros…
Pequenas coisas que não devem perder-se. Que aprendi enquanto crescia. Que utilizei quando ajudava a crescer alegre e naturalmente, com gosto pelo Trabalho e pela Vida, filhos e quase filhos.
Uma ideia. Um conselho útil que resultou. Relatos de actuação, neste ou naquele momento. Episódios com graça numa juventude pesada mas inventiva. Rebelde, em muitos casos.
Acredito…
Acredito que não posso nem devo partir sem legar o pouco que tenho e sei e que pode ainda servir alguém”.
O que está ainda por cumprir na sociedade europeia em matéria de educação é em parte aquilo que Maria Elisa reúne neste livro em muitos exemplos práticos, colocando os alunos na rota, no trilho do conhecimento. A educação não formal ainda é uma da utopia desta nossa época. Ao longo de muitos anos a sociedade civil através das suas organizações e das suas associações, mostraram ao país como é possível formar cidadãos indo de encontro à sua forma mais genuína de expressar emoções, de formular desejos sobre o que pretendem para si e para a comunidade onde se inserem. Foi possível, é possível todos os dias construir pessoas e comunidades numa linguagem inclusiva, onde cada um é tratado com as suas características, de acordo com a sua cultura, de acordo com os pactos sociais que se criaram ao longo dos tempos. Se é possível fazê-lo com sucesso, com resultados fora da escola, porque não experimentar estas mesmas metodologias e adaptá-las ao contexto escolar? Usar ou reflectir sobre estas metodologias ajudará a chegar mais próximo e a chamar mais gente para uma escola que nos regulamentos e na forma é participada, mas no dia a dia tem-se mostrado distante. Uma escola que se tem revelado igual em todo o lado, ignorando a geografia, traços sócio culturais e etnográficos, sendo insuficiente com aquilo que as pessoas dos muitos sítios têm de mais forte e de mais genuíno: a sua cultura e a sua tão rica e tão peculiar maneira de construir o mundo.
Antes de todos os diplomas legais, que, positivamente, apontam este caminho, já Maria Elisa tentava. Já Maria Elisa ousava, já Maria Elisa não abdicava da construção do professor pessoa e da construção inevitável do aluno pessoa. E foi nessa coragem e nessa ousadia que decidiu não abdicar e expressar com os seus livros o que foi possível com ela nesse trajecto, deixando-nos o seu exemplo, não para que seja exemplar, mas para que acrescente e faça nascer em cada um a vontade de seguir em frente na construção de uma educação com E maiúsculo, cheia de pessoas dentro, e não de números que povoam estatísticas, dos que estão no sistema e dos que não estão. Este livro prova que é possível. Que o pior entrave é nada fazer por condições não existirem. Enquanto existirem pessoas têm que se inventar soluções.
Querida Professora a simplicidade e humildade com que nos lega o seu testemunho é característica dos grandes da Humanidade. A sua forma de estar no mundo, inspira-nos a todos, ajuda-nos a todos, faz-nos acreditar. Antes de se falar naquilo que é hoje o grande debate na Europa sobre as potencialidades da Educação Não Formal já o mundo contava com o seu contributo dentro da escola, já este exército contava com a sua parte, numa batalha que terá de levar-nos a um sistema onde as pessoas se encontrem e não onde as pessoas se imponham, onde as pessoas partilhem e construam juntas o mundo que reconhecem e pelo qual estão dispostas a trabalhar, o mundo onde as pessoas reconheçam o seu lugar, em si mesmas e no coração dos outros. A sua lição, querida professora, é sempre de amanhã e não tem fim, como não tem fim este desígnio de nunca deixar morrer o Professor que antes, durante e depois das aulas é sempre pessoa e que encontra em cada aluno um horizonte muito belo, por existir em cada aluno também uma pessoa que nos leva ao infinito, assim o queiramos ver, assim nos encontremos com ele, usando essa regra de ouro: amarmos o próximo como a nós mesmos, sem medo, sem medo de amar e sem medo de viver. Aprendemos isto tudo com este seu livro, com esta sua vida. Obrigado, Maria Elisa. Obrigado, querida Professora.
Pompeu Miguel Martins.
Copenhaga, 8 de Fevereiro de 2012