O Búzio de Istambul
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de João Rasteiro

ColeçãoColeção Palavra Poema
GéneroPoesia
Ano2008
ISBN978-972-8999-47-6
IdiomaPortuguês
Formatobrochura | 96 páginas | 15 x 21 cm

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(...) O BÚZIO DE ISTAMBUL é um livro muito bom, não precisa de posfácio de ninguém.

Casimiro de Brito - Poeta e presidente do P.E.N. Clube


Gracias por tu poesia, por la intensidade y los símbolos tan ricos que contiene. As veces, unos pocos versos, um poema breve, como los tuyos, revelan sin más al poeta verdadero.

Antonio Colinas - Poeta, Tradutor e Ensaísta Espanhol


(...) nos seus poemas há, a par de uma evidente modernidade de dicção, um recorte a que, à falta de melhor termo, eu chamaria clássico, visível na tendência para uma certa isometria e na propensão para o vocabulário selecto.

Albano Martins - Poeta, Ensaísta e Tradutor


João Rasteiro demonstra na sua poesia que a pronúncia duma palavra nunca é um acto neutral, mas um acto político, mesmo corporal. As partes do corpo humano encontram as suas semelhanças projectadas na natureza, em pedra, nas árvores: as palavras chegam a ser a carne, a fronteira entre a cultura, das pessoas e da natureza, desaparecem. O mundo inclui tudo, é um todo, na sua unidade inseparável onde não há o tempo anterior ou próximo, só a verticalidade parada.

Rita Dahl - Poeta, ensaísta e tradutora Finlandesa


Em João Rasteiro encontramos uma poesia cujas principais referências e influências se vão encontrar em nomes como os dos poetas Herberto Helder, Fiama Hasse Pais Brandão ou Daniel Faria, mas também em nomes como os de Charles Bernstein ou Gertrude Stein. É uma poesia do corpo, físico e essencialmente do corpo da linguagem.

Graça Capinha - Professora, ensaísta, tradutora, coordenadora da Oficina de Poesia - Universidade de Coimbra

 

João Rasteiro

 

João Rasteiro (Coimbra, Portugal, 1965), poeta e ensaísta, traduziu para português vários poemas de Harold Alvarado Tenorio, Miro Villar, Juan Armando Rojas Joo, Juan Carlos García Hoyuelos e Enrique Villagrasa. É Licenciado em Estudos Portugueses e Lusófonos pela Universidade de Coimbra. Possui poemas publicados em várias revistas e antologias em Portugal, Brasil, Moçambique, Itália, Espanha, Finlândia, República Checa, Colômbia, México e Chile e vários poemas traduzidos para o Inglês, Francês, Espanhol, Italiano, Catalão, Checo e Japonês. Obteve vários prémios, nomeadamente a “Segnalazione di Merito” do Concurso Internacional Publio Virgilio Marone, Itália, 2003, e o Prémio Literário Manuel António Pina, 2010. Em 2012 foi um dos 20 finalistas (poesia) do Prémio Literário Portugal Telecom. Publicou os seguintes livros: A Respiração das Vértebras, 2001, No Centro do Arco, 2003, Os Cílios Maternos, 2005, O Búzio de Istambul, 2008, Pedro e Inês ou As madrugadas esculpidas, 2009, Diacrítico, 2010, A Divina Pestilência, 2011, Tríptico da Súplica (Brasil), 2011, Elegias, 2011, e Pequena Antologia da Encenação – 2001/2013: Poemas em ponto de osso, 2014. Em 2008 integrou a antologia e exposição internacional de surrealismo O Reverso do Olhar. Em 2009 integrou a antologia: Portuguesia: Minas entre os povos da mesma língua – antropologia de uma poética, org. pelo poeta brasileiro Wilmar Silva e que engloba poéticas de Portugal, Brasil, Cabo Verde e Guiné-Bissau. Em 2009 integrou o livro de ensaios O que é a poesia?, org. pelo brasileiro Edson Cruz. Em 2010 integrou a antologia Poesia do Mundo VI, resultante dos VI Encontros Internacionais de Poetas de Coimbra, org. do Grupo de Estudos Anglo-Americanos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Em 2011 integrou o livro Três Poetas Portugueses (Brasil), org. pelo poeta brasileiro Álvaro Alves de Faria. Em 2012 integrou a antologia de poesia portuguesa contemporânea Corté la naranja en dos (México) com compilação e tradução de Fernando Reyes da Universidade Nacional Autónoma do México. Em 2009, organizou para a  “Arquitrave” da Colômbia, uma antologia de poesia portuguesa, intitulada A Poesia Portuguesa Hoje. Em 2012 participou na exposição Surrealism in 2012 do Goggleworks Center for the Arts, Reading, EUA, com trabalhos individuais e colectivos, executados com os membros do Cabo Mondego Section of Portuguese Surrealism, que integra desde a sua fundação.

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  • A Respiração das Vértebras, Edições Sagesse, Viseu, 2001.

Comentário I

de: Albano Martins

Este seu BÚZIO de ISTAMBUL prossegue a aventura iniciada em livro anterior. Vejo porém, que investe agora longamente no poema em prosa, que lhe permite uma respiração mais ampla, mais afoita ou mais desafogada. Em alguns poemas, entretanto, é ainda o verso regular, escondido, que estrutura ou sustenta o discurso e onde a linguagem encontra ritmos e poemas de expressãop que a cada passo remetem para o universo camoniano, como é o caso da referência aos Rios da Babilónia, ou ao início do poema da pg. 22.
Por este búzio passam os ecos duma infância vivida entre amieiros, montes, o voo dos pássaros, o ventre nu. Assomam memórias e vislumbres, o justo arrepio das vozes/ o transparente da infância. Por isso as palavras, sopradas pelo bafo do poeta, correm para o poema, lá onde o fogo arde com ofício puro.

Albano Martins – Poeta, ensaísta e tradutor português.


Comentário II

de: Mário Cláudio

Meu caro João Rasteiro, é só para lhe dizer o quanto me interessou o seu belo livro – O Búzio de Istambul. Você aflora áreas do território poético que só raramente se vêem tocadas, o que confere aos seus textos uma força de ânimo, sustentada pela originalidade. Seduziram-me sobretudo as peças em prosa, tão tensas e tão intensas, e tão testemunhantes de um iridescente núcleo emocional.

Mário Cláudio – Ficcionista e poeta português

Comentário III

de: Xavier Zarco

O Búzio de Istambul, de João Rasteiro é um livro que se deixa escutar. Esta talvez seja a melhor forma para se explicar o que este livro guarda e que o título bem anuncia. Na senda da metáfora mais densa, enunciada por Fiama Hasse Pais Brandão, o escritor conimbricense João Rasteiro lega a sua voz à voz de um lugar, um espaço onde os amieiros são predominantes. Por eles perpassa a memória dos rios, dos gestos, dos afectos. É o lugar onde as palavras se erguem em busca de uma outra dimensão, dimensão essa que o búzio se dispõe a revelar porque é essa a ressonância que guarda.Depois, o diálogo com outros poetas através de um jogo epigráfico deveras interessante, alguns em tom quase epistolográfico. Uma nota: os registos em prosa poética, cuja organização em ciclo permite a construção de histórias onde as palavras são as protagonistas.

Xavier Zarco – Poeta português

Comentário IV

de: Susana Vargas

Caro João, seu Búzio de Istambul é um excelente livro: gosto muito da simplicidade e simultaneamente da sua densidade. Um livro generoso e humano, com uma dicção quase prosaica e ao mesmo tempo um ritmo surpreendente. A destacar os poemas dedicados a seu pai, ao Jorge de Sena e ao Al Berto, estes dois últimos são os meus preferidos, além do “Encontro com Herberto Helder”. Percebi também perfeitamente as suas leituras e me identifiquei plenamente com muitas delas! Gosto muito do “Poema dos jardins ausentes”: (…) E é como se as rosas nascessem dos dedos/ como uma raiz imitando os frutos meu amor. Muito belo. Obrigado pelo livro. Gostei muito.

Susana Vargas – Poeta, autora de literatura infantil e ensaísta brasileira


O BÚZIO de ISTAMBUL, de João Rasteiro

de: Luís Serrano

O BÚZIO de ISTAMBUL, de João Rasteiro


A última obra de João Rasteiro aparece-nos sob o signo do Oriente através da cidade de Istambul (ver título) que salta de um verso de José Tolentino de Mendonça (ouvi a estranhos no Bazar de Istambul) e de um outro de Hart Crane (Ó rosa de Istambul – os sonhos tecem a rosa!).
Há ao longo do livro referências bíblicas, mais explícitas ou menos explícitas (Bagdad, Nazaré, Babilónia, torre de Babel, Istambul, mirra, incenso) e também referências a Herberto Helder, ele próprio um poeta marcado pela leitura da Bíblia. É óbvio que a linguagem barroca de João Rasteiro tem a ver com muitas leituras feitas, mas eu destacaria a de Herberto Hélder, cultivando o verso longo e os vocábulos pouco comuns (rares mots) que os simbolistas viriam a cultivarem.
A obra está dividida em três partes: O anjo abstracto, Amieiros que sangram e Tríptico da criação.
Falar da aldeia do Ameal onde nasceu é, para Rasteiro, falar do nascimento e da morte que são, naturalmente, os dois marcos que balizam a vida de qualquer homem.O Ameal está presente em toda a obra, quer explicitamente, quer através dos microcosmos Sardoal e Rigueira, eles próprios referências topográficas integradas no Ameal.
Diria que é a segunda parte a mais importante, quer ao nível da mensagem que se pretende transmitir (os poetas pretendem sempre transmitir uma mensagem porque querem ser lidos, mesmo quando dizem o contrário), quer a nível dos processos utilizados. São praticamente todos ou quase todos “poemas em prosa”.
É uma extensa reflexão sobre a morte (e sobre a morte do pai, em particular, facto ocorrido quando o autor tinha apenas 31 anos de idade) e sobre o lugar que o viu nascer e onde a infância deixou marcas fundas na memória.
Logo nesta parte (Os amieiros que sangram) o poema da p. 47 inicia-se por um regresso à infância: Aprendi a regressar e todo o poema é escrito no presente do indicativo para nas últimas 3 linhas passar a pretérito imperfeito. São 3 linhas de grande significado: E a terra era viva, translúcida, e tinha um cheiro morno que entontecia. Porque era nela que eu frutificava, pungente.
As referências à morte do pai são comoventes mas sóbrias. Na p. 48 pode ler-se: Estamos em 1996, é Outubro, […] e eu à procura de meu pai […] e na p. 49 é ainda um poema sobre o pai, agora feito memória: O Inverno adquirira um rosto. O dele (do pai): E também ele encontrara um rosto. O seu próprio.
A obsessão da morte encontra-se em muitos poemas. Leia-se na p. 51: Um dia, também eu encontrarei a morte no meio dos amieiros. É curioso verificar que sempre a morte está ligada a um topos que neste caso é a povoação de nome Ameal (Amial com i como se escrevia ao tempo da infância do autor) nas proximidades de Coimbra. Uma síntese destas ligações é bem visível no poema da p. 52: Olho em volta: eu e o meu pai e com todas as memórias que se somam ao meu corpo, e que tu, e contigo todas as memórias, tu aldeia, em que descobri a forma dos fetos, o êxtase do tempo, até conseguir fazer soltar a primeira respiração, a respiração do lugar inicial, a respiração purificada dos animais sob os amieiros.No poema da p. 53, o autor volta ao tema: […] quando em 1996, sob o vento de Outubro, antes que a noite se aproximasse, te procurava por entre os odores dos amieiros,[…] E nem sequer me despedi, pai.
E é entre a morte e os amieiros, símbolo de uma ligação à terra, que a obra se vai construindo; nela não cabe apenas a razão mas também a emoção, a lágrima discreta que o tempo ainda não apagou. Diz o poeta na p. 55: Os amieiros chegam como um nome mágico à boca do rio, sempre um jardim de amieiros contra a paixão da água.
Há, ao longo do livro, imagens muito belas que mostram o bom gosto do poeta, a qualidade da fábrica. Por exemplo, da p. 57 retiro as últimas 5 linhas: O céu é um pássaro descomunal envolto em chamas sobre as vozes dos mortos, sobre os livros onde se aprisiona a formosura das palavras, como se fosse possível guardar a transparência do júbilo.
E a morte é assim, na visão do poeta, não desactivada mas, de algum modo, contrariada ou superada pela força das palavras. Eis aqui uma razão muito forte para que João Rasteiro continue a escrever os seus poemas que passam a ser nossos também.A morte circula por aqui, como reiteradamente se disse, entre um Anjo abstracto e um Tríptico da criação onde se integra o poema O território dos anjos. Os anjos são agora de carne e osso e estão contaminados por tudo aquilo que transforma os homens: o amor, o ódio, o crime.
Deixa-se aqui apenas uma sugestão para futura obra: uma redução drástica na frequência de comparações explícitas e de possessivos. Uma obra com a qualidade desta merece uma atenção mais detalhada quanto ao emprego destas bengalas.
A obra vem prefaciada (?) por um poema de Casimiro de Brito intitulado: Quem amou ainda ama.
É uma edição de Palimage, 2008, ostentando a capa uma imagem de Rogério Oliveira.
Aos que se interessam pelo conhecimento dos novos caminhos da poesia portuguesa, recomenda-se a sua leitura.

Luís Serrano


Um Búzio de Istambul que se ouve à beira do Mondego

de: José do Carmo Francisco, no seu blog "Transporte Sentimental"saber mais

«O búzio de Istambul» de João Rasteiro «Natureza e Cultura» – esta dupla inscrição pode ser uma das chaves para entrar neste livro de João Rasteiro (n.1965). O título está na página 63: «O binómio de Newton, dos silêncios que  sufocam o tempo, das palavras de sangue cintilante, do poema de vida e morte, o binómio das aldeias ininterruptas é tão sublime e majestoso como a rosa, como o martírio do búzio de Istambul».
Trata-se aqui de um mundo uno. É o poema que une as coisas mais diversas e opostas, sejam as águas em tumulto do Bósforo ou as águas calmas do Mondego: «Toda a memória é uma forma de solidão, a respiração, a margem das palavras. O eco.» Dito de outra maneira: «o poema atravessando dois mundos de ecos intangíveis / a força consagrada dos búzios florindo a sua órbita viva / advindo nos hortos perfumados dos jardins de Istambul».
Se «Natureza e Cultura» pode ser a primeira inscrição do livro, a segunda será «Amor e Morte»: «quando em 1996, sob o vento de Outubro, antes que a noite se aproximasse, te procurava por entre os odores dos amieiros, porque o amor é forte como a morte, mais forte que a eternidade dos mortos – te procurava na pureza do linho e das mortalhas sagradas, pai».
Voltando à dualidade «Natureza e Cultura», depois da homenagem a Camões («Junto às margens impassíveis dos rios da Babilónia / os salgueiros têm fólio espinhos hábeis de silêncios») o autor regressa à Natureza: «Agora que todo o campo, todos os animais, todas as aves, toda a terra, todos os amieiros me pertencem, regresso até ao fim do mundo» Mas já tinha viajado pela Cultura na primeira parte do livro. A sua biografia («ser bardo e sonhador é devorar o fogo
sagrado, o correr das chuvas») envolve leituras de poetas como Camões, Fernando Pessoa, Fiama, Luiza Neto Jorge, Gastão Cruz, Ramos Rosa, Jorge de Sena, Miguel Torga, Eugénio de Andrade ou Mário Cesariny: «Deixa que chegue a ti o que não tem nome: o que é o fogo. / Tocaste a luz, a quietude da luz e inventaste a blasfémia / a respiração / retrocedeste em círculos / desceste ao pântano das madrugadas que se acolhem largadas sob as chuvas».
O búzio de Istambul ouve-se à beira do Mondego, entre Coimbra e a Figueira da Foz. O mundo é uno: o poema junta de novo o que a geografia separou.

(Editora: Palimage, Prefácio: Casimiro de Brito, Capa: Rogério Oliveira)
José do Carmo Francisco