O Casino da Figueira. Sua evolução histórica desde o Teatro-Circo à actualidade (1884-1978)
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de Irene Vaquinhas

ColeçãoFora de Coleção - História
GéneroHistória
Ano2013
ISBN978-989-703-042-0
IdiomaPortuguês
Formatobrochura | 592 páginas | 17 x 24 cm

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Fundado como Teatro-Circo em 1884, e reconvertido a casino, em 1895, o Casino da Figueira da Foz completa, no actual ano de 2012, cento e vinte e oito anos. São raríssimas as casas de espectáculos, em Portugal, que tenham uma existência tão longa e são em número, ainda mais escasso, as que têm desempenhado um papel de relevo na vida económica, social e cultural das localidades onde se instalaram. Durante largas décadas, o Grande Casino Peninsular foi um dos espaços mais representativos e emblemáticos da Figueira da Foz, senão mesmo o seu símbolo distintivo como local de veraneio e estância balnear.
Desde a sua fundação, foi o epicentro de uma intensa vida social, cuja clientela, estritamente seleccionada sob o ponto de vista económico e socioprofissional, lhe conferia uma fisionomia elitista, de cunho aristocrático, que a evolução dos tempos tenderia a esbater e a democratizar.
Porém, mais do que um simples casino, ainda que privilegiado, o Peninsular assumia no imaginário de todos quantos demandavam “la mejor playa lusitana”, como se podia ler em jornais espanhóis, o papel de um verdadeiro mito cultural. No final do século XIX e sobretudo no decurso da primeira metade do século XX, o banhista de bom-tom apodera-se das suas salas e salões e é neles que se reúne, conversa, ouve música, assiste a sessões cinematográficas, dança, joga e “flirta”.
(...)
Neste livro traçam-se as principais linhas de força da história do “Casino da Figueira”, desde a fundação do Teatro-Circo, em 1884, até aos finais da década de setenta do século XX, mais precisamente até 1978, ano que assinala a conversão da zona de jogo temporária da Figueira da Foz, em zona permanente, e abre uma nova etapa na vida do casino.

Irene Vaquinhas

Irene Vaquinhas é professora catedrática do Departamento de História, Arqueologia e Artes da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, onde lecciona disciplinas dos 1.º, 2.º e 3.º Ciclos, e coordena o 3.º Ciclo em Altos Estudos em História e o 2.º Ciclo em História, Especialização em Museologia. É membro do “Centro de História da Sociedade e da Cultura da Universidade de Coimbra”, da Fundação para a Ciência e Tecnologia. Tem ministrado cursos e seminários em universidades estrangeiras, participado em projectos de investigação internacionais, colaborado em actividades cívico-culturais e de extensão universitária, bem como orientado numerosas teses de doutoramento, de mestrado e de trabalhos de pós-doutoramento, tanto em Portugal como no estrangeiro. Tem-se dedicado, sobretudo, ao estudo da sociedade portuguesa durante o século XIX e a primeira metade do século XX.
Doutorou-se em 1991 com a dissertação intitulada Violência, justiça e sociedade rural. Os campos de Coimbra, Montemor-o-Velho e Penacova de 1858 a 1918 (Porto, Afrontamento, 1996). Entre as suas publicações destacam-se “Senhoras e mulheres” na sociedade portuguesa do século XIX (1.ª edição, Lisboa, Colibri, 2000; 2.ª edição, 2011); Nem Gatas Borralheiras, Nem Bonecas de Luxo. As Mulheres Portuguesas Sob o Olhar da História (Séculos XIX-XX), Lisboa, Livros Horizonte, 2005; As mulheres no mundo contemporâneo. História comparada, Coimbra, FLUC, 2005; Nome de código “33856”. Os “jogos de fortuna ou azar” em Portugal entre a repressão e a tolerância (De finais do século XIX a 1927), Lisboa, Livros Horizonte, 2006. Colaborou na História de Portugal, Direcção de José Mattoso, V vol. — O Liberalismo (1807-1890) (Lisboa, Círculo de Leitores, 1993).  Fez a coordenação científica do vol. III da obra História da Vida Privada em Portugal (A Época Contemporânea), dirigida pelo Prof. Doutor José Mattoso, sendo também autora de diversos capítulos. Este volume foi distinguido, no ano de 2012, com uma Menção Honrosa do Grémio Literário 2011.
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de Irene Vaquinhas

Revista de História da Sociedade e da Cultura n.º 12

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de Vários

Breve nota de apresentação no lançamento do livro

de: Irene Vaquinhas

Figueira da Foz, Casino Figueira, 31 de Outubro de 2012.
 
Há precisamente cento e vinte e oito anos, nos últimos dias de Outubro do ano de 1884, um mês depois de ter sido inaugurado, estreava-se no edifício onde nos encontramos, então chamado Teatro-Circo Saraiva de Carvalho, a companhia internacional ginástica e acrobática de D. Henrique Diaz. A grande atração residia em dois enormes elefantes e nas suas simpáticas e elegantes domadoras, mademoiselles Ida e Tourniaire, exímias nas artes, como salientava o jornal Commercio da Figueira, de 15 de Outubro de 1884, “de domesticarem os paquidermes” mas também “de darem enchentes consecutivas ao circo e uma boa receita ao empresário”.
 
Os espectáculos circenses com feras mais ou menos amestradas, contudo, não vieram para ficar... No ano de 1895, no momento em que as roletas constituíam “a grande febre da época de banhos”, como salientavam tantos autores, e eram consideradas factores de dinamização das estâncias balneares, sem as quais diminuía consideravelmente o número de veraneantes, sobretudo os de nacionalidade espanhola, o Teatro-circo reconvertia-se a casino, consagrando-se como um espaço afamado de um turismo peninsular. Dirigido a um público ibérico, Peninsular será o seu nome, o qual estabilizará, nos finais dos anos 1920, na designação de Grande Casino Peninsular da Figueira da Foz, a qual se vai manter até perto do fim do século XX. 
 
Nesta obra que tem como título O Casino da Figueira. Sua evolução histórica desde o Teatro-Circo à actualidade (1884-1978) procura-se contar o passado desta casa de espectáculos, desde a sua génese, como teatro-circo, até aos finais da década de setenta do século XX, no momento em que a zona de jogo temporária da Figueira da Foz se converte em zona permanente. A sua biografia articula-se, de uma forma muito estreita, com a história da cidade da Figueira da Foz. A importância dessa ligação confere-lhe uma amplitude e uma abrangência que ultrapassam, largamente, as paredes do edifício.
 
No “Grande Casino Peninsular” se repercutiram as possibilidades e as limitações do poder político local e nacional; nele ficaram registadas as esperanças e os ideais de muitos; por ele passaram os projectos e as ambições turísticas da localidade; nele circularam os pequenos e os grandes eventos públicos, as modas e as ideias que inundavam a cidade em período de veraneio. Desde a sua génese despertou paixões, num contexto de fervor bairrista e regionalista, impulsionando-o em direcção ao futuro, não obstante as dificuldades encontradas. O “Grande Casino Peninsular” foi inquestionavelmente um “resistente”, sabendo ultrapassar inúmeras vicissitudes ao longo da sua centenária existência, atravessando regimes políticos, renascendo sempre com novas iniciativas e atualização das suas formas de recreação.
 
Como síntese histórica que é, este estudo foi elaborado predominantemente a partir de documentos escritos. A ausência de um arquivo de empresa obrigou a um demorado trabalho de pesquisa de fontes, tanto em arquivos nacionais como estrangeiros, bem como em arquivos públicos e privados. Para alguns assuntos, as fontes históricas foram escassas ou omissas, obrigando a historiadora a tornar-se policial e correr atrás de pistas e de indícios… Algumas vezes com sucesso, outras nem por isso… Por falta de elementos não pude caracterizar, com maior profundidade, a sociologia do frequentador do casino ao longo do tempo; também não pude acompanhar a evolução do seu quadro de pessoal desde finais do século XIX, ou a trajetória artística de uma figura central, senão mesmo a alma de emblemáticas festas do casino, o cenógrafo Rogério Reynaud.
 
A dimensão da memória oral ficou propositadamente de fora do livro: as narrativas memorialistas, ou antes, as estórias do Grande Casino Peninsular contadas por quem as viveu, merecem ficar registadas em publicação autónoma.
 
Irene Vaquinhas