O Lugar Alado
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de Katia Andrade Simões

ColeçãoColeção Palavra Poema
GéneroPoesia
Ano1998
ISBN978-9-72-972926-3
IdiomaPortuguês
Formatobrochura | 48 páginas | 13 x 21 cm

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Agora sobre o novo conjunto de poemas, sobre este novo lirismo e poeticidade, desce uma luz surpreendente e decisiva que o verso retransmite e a palavra evoca como um signo ordenante e criador.

Katia Andrade Simões

Eu sou O Lugar Alado. Ou Katia Andrade Simões, nascida a 14 de Julho de 1972, nessa África essencial, da qual me ficou a alegria e uma vontade impulsiva de amar...Amar! Ou ser atenta aos outros e à vida. Na medicina. Na poesia. No dia-a-dia.
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O Lugar Alado

de Katia Andrade Simões

EXALTAÇÃO DE "O LUGAR ALADO", de Katia Andrade Simões

de: Idalécio Cação

EXALTAÇÃO DE "O LUGAR ALADO",
de Katia Andrade Simões
por Idalécio Cação

No seu "Le Comment de la Poésie", Pierre Dufait e Ivette Jenger referem que a poesia é geralmente considerada como tendo por missão transmitir o intransmissível, dizer o indizível, comunicar o incomunicável, estabelecer entre os indivíduos uma relação de comunicação portadora do inefável. Ora, nesta perspectiva, a poesia será criação, o que permite a produção duma nova forma de estruturar e organizar o discurso poético a partir duma linguagem fundamental que preexiste ao poema, que, de acordo com a etimologia, significa "obra", e em especial "obra de arte" como é geralmente consabido.
Vêm estas palavras a propósito do recente livro de Katia Andrade Simões, de quem, até hoje apenas conhecíamos o seu pendor e arte para declamar os poemas dos outros, numa afirmação de invulgar talento e virtude que não cabe agora dilucidar aqui mais em pormenor. Prendia-nos contudo a ideia de que a verdade e a pujança que transmitia às palavras alheias, o instinto com que as reinventava e se apropriava da sua essência mais profunda – de tal modo que instaurava nelas um fascínio de todo insuspeito – só podiam germinar em alguém que da poesia conhecesse os segredos mais profundos.
A resposta às nossas suspeições chega-nos agora com a publicação de "O Lugar Alado", com que a sua autora, a mesma Katia Andrade Simões, acaba de presentear os amantes da poesia. De facto, a Katia que acende revérberos de oiro e luz no verbo dos outros, que o leva à plenitude da magia e do deslumbramento, é a mesma que nos brinda com este livro de parcas palavras. Porém, tão plenas de sentido e força que a poesia anda por ali naqueles versos em múltiplas aparições, confirmando o juízo que Nathalie Sarraute faz da arte da escrita, e que não resisto à tentação de citar: "Numa obra, a poesia é o que faz aparecer o invisível". Aliás, não será por acaso, certamente, que logo na epígrafe se transcrevem aqueles versos de Pessoa, em que num deles o poeta nos diz que "o sonho é ver as formas invisíveis".
Ao referirmo-nos no início deste texto a uma linguagem fundamental que preexiste ao poema, queremos significar que o facto tem muito a ver com o livro de Katia Andrade Simões. Interroguemo-nos sobre quais as palavras que lhe presidem e das quais irradia como raios de luz o seu discurso poético. Primeiramente, contudo, haveremos de intuir que o livro se organiza em três eixos semânticos, ou linhas de força, que o enformam e se completam mutuamente: o Lugar, o Sonho e a Cor e a Luz.
Para o primeiro caso, a palavra lugar aparece 12 vezes, e, por ordem decrescente de frequência, surgem-nos nomes com ela conotados, como o vocábulo mundo (8 vezes), distância ou suas cognatas (5 vezes), o advérbio aqui (4 vezes), mas não o seu contrário, que poderemos colmatar com longe (3 vezes). O tema Lugar, que simbolicamente poderá representar o espaço mítico da quimera ou da aurea mediocritas horaciana, longe de se perfilar num estatismo passivo e conformado, assume-se aqui como um espaço semovente ou um "lugar alado", para nos socorrermos do próprio título do livro.
Para o tópico do Sonho, convergem palavras como vida (7 vezes), feliz e sonho (5 vezes), alegria e magia (4 vezes). Tal como no tema Lugar, também o Sonho nos aparece frequentemente subentendido, e surge como criador duma simbologia específica da autora, em que a sua natureza emotiva se manifesta. O Sonho subjaz à Vida, e comanda-a, como lapidarmente nos ensina António Gedeão. Sintomaticamente, a imagem do Sonho raramente se desvia do mundo dos poetas.
A Cor e a Luz são em Katia Andrade Simões, tanto ao nível do símbolo como da metáfora, uma presença constante, o azul com uma frequência sensivelmente igual à palavra luz (6 vezes), o que confere a todo o texto poético um cromatismo singular, que o vocábulo sol (4 vezes) e a designação do nome cores consubstanciam e reforçam de forma evidente. É a pura exaltação de momentos, memórias, imagens.
Mas os sentidos presentes em "O Lugar Alado" assumem por vezes, e também, um lirismo magoado, onde cabem um segredo, um mal de amor, a solidão ou a saudade. Seja como for, Katia Andrade Simões alimenta com este seu livro a pira sagrada onde arde o fogo luminescente da Poesia e da Verdade, do Amor e do Infinito, da Liberdade, em suma. Ou não tivesse Katia nascido, profeticamente, em 14 de Julho.
Duas palavras ainda para sublinhar o excelente prefácio de Paulino Mota Tavares e a sugestiva capa e desenhos do consagrado artista Pinho Dinis.

Póvoa do Paço, 4 de Novembro de 1998
Idalécio Cação