Os Cantares Tradicionais de Lafões. Sua preservação enquanto património cultural
-20%

21,20€
16,96€

de José Fernando Oliveira

ColeçãoColeção Raiz do Tempo
GéneroHistória
Ano2001
ISBN978-9-72-857529-8
IdiomaPortuguês
Formatobrochura | 336 páginas | 17 x 24 cm

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O registo e a preservação dos cantares, ameaçados pelo uniformizante desenvolvimento tecnológico. Uma tese de mestrado em Museologia e Património Cultural.

 

José Fernando Oliveira

José Fernando Monteiro de Oliveira nasceu em S. Pedro do Sul, em 1951.
Possui o curso de Professor do Ensino Básico, concluído na escola da Magistério Primário de Viseu, o Curso de Estudos Superiores Especializados em Organização e Intervenção Socioeducativa, realizado na ESE da Guarda, o Curso Geral de Formação Musical pelo Conservatório de Música Dr. Azeredo Perdigão e o Curso de Pedagogia Musical do Prof. Pierre Van Hawve. Recentemente, concluiu o Mestrado em Museologia e Património Cultural na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.
Tem vindo a orientar diversos cursos de Formação para professores, na Área da Expressão Musical e Dramática.
Presentemente, lecciona a disciplina de Educação Musical na Escola nº 3 de Viseu e é Director Pedagógico na Escola de Música de Instrumentros Tradiocionais da Delegação de Viseu do INATEL.
Da sua actividade extracurricular destaca-se o trabalho de pesquisa, de recolha e de orientação, desenvolvido, desde 1982, no grupo de música tradicional "Alafum", do qual é fundador.
É autor do "Cancioneiro Regional de Lafões", obra distinguida com o prémio GICAV, atribuído pela Revista Anim'Arte, em 2000.
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Os Cantares Tradicionais de Lafões. Sua preservação...

de José Fernando Oliveira

  • Cancioneiro Regional de Lafões

Apresentação

de: António Lopes Pires

OS CANTARES TRADICIONAIS DE LAFÕES
Sua Preservação enquanto Património Cultural


O homem cantou desde sempre, para exprimir a variedade dos seus sentimentos. Por isso, de longa data, ele interpretou cânticos guerreiros, religiosos, místicos, amorosos, ...
Na expressão dos seus cânticos ele deixa uma marca própria da sua personalidade.
Mais concretamente, o povo português cantou a pretexto de tudo e de nada: para adormecer os filhos, nas lides caseiras, nos longos serões de inverno, na ida e no regresso das romarias, no decorrer dos trabalhos agrícolas, no regresso dos campos. Cantava ainda quando dançava ou, melhor, cantava para dançar: no fim de muitas tarefas agrícolas, na romaria, aos domingos e dias de festa - no adro, na praça principal da aldeia, no largo da fonte, na pequena encruzilhada.
Reflectindo sempre a maneira de ser, de viver e de pensar das pessoas que lhe deram vida e, de geração em geração, sempre pela via oral, a fizeram chegar até nós, a música da tradição popular portuguesa tem características nacionais: singeleza, lógica de construção, beleza de melodia, curta extensão. Retratando a região a que pertence e as circunstâncias do seu uso, as cantigas são mais dolentes nos trabalhos do tempo do calor, descansadas nas mil obrigações da preparação própria do linho, alegres e vivas as utilizadas para dançar, mais movimentadas as do norte e do litoral, mais tranquilas as das serranias do interior, mais variadas nas suas características as dos locais onde, pela sua natureza, as aculturações, foram mais frequentes e significativas.
Na Beira, o povo cantava sobretudo em uníssono. Nanja em Lafões, onde, com a maior das naturalidades lança mão de melodias lindíssimas que, sem outro mestre que não uma força especial que lhe corre no sangue, lhe extravasa da alma e lhe marca o coração, vivifica a duas e três vozes, quando não mesmo a quatro, o que para mim é um espanto, uma verdadeira admiração.
É esta riqueza que o Dr. José Fernando estuda no seu livro. É este estudo, pelos cuidados e metodologia utilizados que merece uma atenção especial. Não se trata de mais um cancioneiro; que cancioneiro já o autor publicara antes. E que riqueza não é só por si, poder uma região, poder um país exibir compilado em livro, musicalmente tratado como convém, um património valioso e numeroso como este dos cantares da região de Lafões.
Só que agora o Dr. José Fernando de Oliveira dá um tratamento científico aos cantares da sua região, dando achegas para o perfil da terra e das suas gentes, abordando de seguida a problemática das origens de tão belos cantares, dos processos da sua difusão e transmissão, sem esquecer a linha das suas principais características. Faz diversas análises como convém a um trabalho de base científica e, não satisfeito, lança pistas seguras para a preservação deste património, chamando a esta tarefa, pelas obrigações que lhes cabem, todos quantos têm responsabilidades no domínio da cultura, designadamente, as escolas pelo muito que podem fazer em favor desta causa, no imediato mas sobretudo a longo prazo, dado que os investimentos na educação têm resultados visíveis no curto prazo, mas são sempre investimentos cujo rendimento só é verdadeiramente visível quando o objecto da educação atinge o estado de adulto e ocupa o seu lugar na sociedade do seu tempo.
Finalmente, aí fica o seu agora grande desafio: a criação do museu da comunidade de Lafões.
É fundamental que os povos recolham e salvaguardem as suas memórias de forma adequada. Que dirão de nós os vindouros, se não formos capazes de lhes deixar minimamente conservados os fundamentos da sua cultura e de tudo o mais que a envolve?
Recomendo de forma veemente a leitura atenta desta obra e a discussão, se possível pública, da temática que ela propõe.
Parabéns ao autor.
Muitos parabéns aos lafonenses por esta dádiva tão especial.


António Lopes Pires