PAKHLAVAN MAKHMUD – Herói Generoso. Uma história do Uzbequistão

11,00€

de Maria Alice Sarabando, Sara Bandarra

ColeçãoColeção Criança
GéneroLiteratura Infantil e Juvenil
Ano2015
ISBN978-989-703-130-4
IdiomaPortuguês
Formatobrochura | 32 páginas | 23 x 16 cm

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Olho para este livro e tenho vontade de o abraçar. Não só porque estou nele com um fascínio de caráter infantil pelas histórias de PM e com o trabalho de escrever esta em particular mas também porque para ele confluíram empenho e competência de várias pessoas criando um círculo de energia muito forte, geradora de calor aconchegante como um abraço.

 

Olho para este livro, para as suas ilustrações, e encanto-me com todas elas, mas especialmente com a metáfora de superação dos impossíveis da condição de cada um, patente, por exemplo, no cavalinho que corre atrás dos pássaros e na pequenez dos camelos em face da enormidade das montanhas.

 

Olho para este livro, posso dizer belo, e ocorre-me um poema de António Gedeão, que começa assim: “As coisas belas, as que deixam cicatrizes na memória dos homens…” Espero que ele deixe cicatrizes na memória das crianças que o lerem.

Maria Alice Sarabando

Maria Alice Sarabando — escritora

Nasci em 1952 em Lombomeão (concelho de Vagos); licenciei-me em Filosofia na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra; fui professora de Filosofia (durante muito pouco tempo), e de Estudos Sociais/História de Portugal e Português (2.º Ciclo do Ensino Básico); tenho publicados livros pequenos nos géneros: conto infantil, romance juvenil (em parceria), poesia e conto.

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de Maria Alice Sarabando, Sara Bandarra

Sara Bandarra

Sara Bandarra — ilustradora

Nasci em 1971 em Aveiro; licenciei-me em Design de Comunicação na Escola Superior de Arte e Design de Matosinhos; sou professora do grupo de artes e ilustradora; gosto de contar histórias com imagens e, por isso, criei as coleções “Mulheres de Avental” e “Retratos de Limão”; tenho alguns livros ilustrados publicados.

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de Maria Alice Sarabando, Sara Bandarra

Texto da apresentação do livro no CETA — Círculo Experimental de Teatro de Aveiro

de: Maria José Sarabando Neves

 

 

“Pakhlavan Makhmud,

herói generoso”.

de  Maria Alice Sarabando

 

Apresentação:  CETA

26-06-2015

21:30 h

 

 

Quero começar por saudar a autora, a ilustradora e a editora do livro que nos juntou aqui e também todo o público presente.

 

Como ponto prévio à minha apresentação, devo dizer que foi para mim uma honra e um prazer o convite (que aceitei de imediato) da Maria Alice para apresentar este seu livro:

Em primeiro lugar porque, à partida,  tratando-se de um trabalho da Alice, sabia que realizar esta tarefa era contactar com um texto sério, fundamentado e bem escrito.

Em segundo lugar, porque estes desafios acabam sempre por me fazer revisitar matérias que me agradam e  me levam a refletir sobre assuntos prazerosos que ficam frequentemente submersos nas minhas preguiças e rotinas quotidianas.

Por conseguinte, aqui estou eu para dar conta da  minha abordagem (que não é a única nem será a melhor, mas apenas uma proposta pessoal de análise) de  “Pakhlavan Makhmud,  herói generoso”.

 

Inicio a minha reflexão sobre a categoria literária a que poderá pertencer este texto.

Será pacífico afirmar que se trata de uma narrativa, na sua espécie mais curta, o conto. Na verdade, narra-se  de forma sucinta, a ação de um protagonista, localizada num tempo e num espaço  reduzidos e específicos. 

Todavia, o assunto de que trata, o tipo de protagonista, o tempo e o espaço em que a ação se situa, a forma como os factos são contados... podem fazer-nos  associar esta narrativa tanto ao “conto de autor”, como ao “conto infantil”, ao “conto tradicional”, à “lenda” , à “fábula”,  ao “conto maravilhoso”...

Ao “conto de autor” porque, efetivamente, o  próprio autor-narrador se considera o responsável pela  trama narrada: “...Talvez nem tudo tenha acontecido exatamente como está contado,  mas gostei de a imaginar assim..”:

Como os “contos infantis”, tem um conteúdo que prende a atenção,  a preocupação de transmitir conhecimentos e mensagens, uma intenção pedagógica explícita  quer nas explicações fonéticas e terminológicas quer nas informações geográficas e históricas...

À semelhança dos contos tradicionais, o protagonista assume uma dimensão lendária, “mitificada” que permite a sua reinvenção em versões diversas por sucessivas gerações, como é o caso da presente versão da Maria Alice..

Como as fábulas, a narrativa  tem subjacente um percurso ético e encaminha-se para uma moralidade evidente.

Paralelamente aos “contos maravilhosos”, o herói age num tempo  indeterminado, num cenário de reinos,  de cidades fabulosas,  de grandes desertos e montanhas, de reis  que  organizam festas de casamento pomposas... O protagonista é um indivíduo extraordinário que atua num tempo remoto e difuso que faz lembrar o  ”Era uma vez...” com que se inicia este tipo de narrativa e o “foram felizes para sempre” com que  terminam.

Assim sendo, parece-me mais avisado seguir a sugestão da própria autora quando escreve, logo no início,  “este livro é uma porta para o encantamento”, e designar “Pakhlavan Makhmud, herói generoso” como um “conto de encantamento”.

 Analisemos, então, os seus componentes::

O protagonista é “um homem invulgar” que se evidencia não apenas pela  sua estatura física, mas também pela sua “mestria profissional”, pela sua “sensibilidade poética e filosófica”, pela sua “capacidade desportiva”... E, sobretudo, pela coerência e elevada dimensão humana  que ele irá mostrar ao longo de toda a narrativa. Resumidamente e citando o texto, “É um homem completo, admirável” que orienta sempre o seu comportamento pelos mais nobres desígnios. O desenlace da ação narrada é de tal modo invulgar e grandioso que fará dele uma lenda, um mito, um santo...  apesar de ter sido vencido..

O enredo, centrado na ação do protagonista, é simples, mas a evolução dos acontecimentos torna-o eticamente profundo e universal.

O espaço e o tempo, no seu distanciamento  diacrónico, contribuem para a intemporalidade da história e permitem a consciencialização de valores universais como a integridade, a compaixão (no sentido mais nobre da palavra), a justiça e a gratidão.

A linguagem narrativa simples, clara, contida, de uma impecável correção morfossintática valoriza a nobreza de carácter do protagonista e a tensão narrativa. Efetivamente, neste texto, apesar da singeleza do discurso, a frase tem força expressiva e o discurso é rico de sensações e emoções fortes e múltiplas.  Pelo seu poder sugestivo, a linguagem serve de mediação para a evasão, o onirismo, a recriação imaginária de ambientes e situações, por parte do leitor.

A título de exemplo, veja-se o extrato em que se descreve o rio Amu Darya “...o rio Amu Darya que se despenha cheio de força das montanhas, enfrenta as areias sequiosas do deserto e se espalha num delta manso e descansado ao aproximar-se do seu destino: o mar Aral”. Aparentemente, trata-se apenas de uma informação geográfica fornecida  lexical e sintaticamente, de forma simples;  no entanto,  a  escolha criteriosa de verbos e adjetivos faz dela uma expressão cheia de movimento,  de visualismo e de virtualidades imaginativas.

Todo o discurso é construído com base nessa linguagem depurada, correta e livre, marcada pela sensibilidade profunda aos seres, às paisagens e aos acontecimentos e, por isso, capaz de recriar a cor local de outros tempos, de outros espaços  e de outras culturas e de mobilizar o imaginário e a consciência dos leitores para mensagem ética subjacente ao texto.

 

Mas este livro não é feito apenas de discurso textual e, por isso, não posso deixar de chamar a atenção também para a coerência entre texto e ilustração.

Esta última não assume apenas o papel de documentação ou de exemplificação do texto. Ela faz parte da narrativa e, tal como o discurso linguístico, também o discurso pictórico, de uma grande acessibilidade, simplicidade e beleza, propicia a imaginação e a interiorização  de outros espaços, tempos e culturas. As imagens transmitem, informam e desafiam as sensações e as emoções do leitor tal como o discurso textual. Confronte-se, por exemplo, na página... , a nudez e a hostilidade da  imagem da montanha com a correspondente expressão de texto “...constituía um desafio temerário para qualquer ser vivo”.

 Em contrapartida, veja-se a delicadeza das pequenas imagens de pessoas e animais, espalhadas como que ao acaso, a lembrar as iluminuras medievais ou a pintura oriental. Remetendo também elas para a distância no tempo e no espaço, são um estímulo à imaginação e reflexão do leitor. Essa simbiose imagem/texto, pelo seu poder evocativo, instiga-o a ultrapassar os seus horizontes e a examinar-se criticamente.

Ainda a propósito das imagens e do seu diálogo com o texto, não posso deixar de chamar a atenção para a força expressiva implícita na imagem alusiva à luta. Aí, os  contendores são enquadrados por dois pavões, também conhecidos como as “aves do paraíso”. Sabemos que o pavão é normalmente associado à beleza e à perfeição, mas, na Índia (onde a ação narrada se passa), o pavão simboliza também aquele que  transcende os venenos emocionais como a raiva, o ciúme, a inveja e ajuda as pessoas comuns a alcançarem a iluminação..

Em sintonia com esse simbolismo latente, a imagem é encimada por uma frase,  graficamente evidenciada, do protagonista ao seu adversário: “-É PROVÁVEL QUE EU  VÁ  FAZER-TE SOFRER, MAS NUNCA DESISTAS.” 

Deste diálogo de simplicidade, subjacências, sensibilidade e musicalidade entre ilustração e discurso linguístico  resultou  uma obra de elevada dimensão ética e estética não apenas para os mais jovens, mas para todas as idades..

 

Por fim, gostaria de referir  a proximidade que o narrador estabelece com o leitor,  não só pela técnica dialogal utilizada, mas também pelo desvelamento consciente do “fingimento narrativo”, do “fingimento literário” e a apologia  do poder socializante da ficção: “talvez nem tudo tenha acontecido exatamente como está contado nesta história, mas gostei de a imaginar assim e faz-me bem saber que a leste. Estamos agora ligados. É esse o poder do livro”.

Embora, como se afirma no texto,  não tenha havido a preocupação da verdade histórica dos factos narrados, o conto é suficientemente verosímil para ser dádiva a quem quiser apropriar-se dele.

 

Por isso, termino, parafraseando os contadores de histórias africanos: “esta é a história tal como a contou a Maria Alice e a ilustrou a Sara Bandarra. Tenham ou não gostado, levem-na para outros lugares e tragam-lha de volta”

 

 

Bibliografia e Webgrafia

Bettelheim, Bruno; Psicanálise dos contos de Fadas, Lisboa, Livraria Bertrand,1 984

Mandela, Nelson; As mais belas Fábulas africanas: as histórias infantis preferidas de Nelson Mandela;  Carnaxide; Editora Objetiva ; 2012

Gomes, Ana Rita Costa, A narrativa como instrumento de investigação e de autoconhecimento; Porto, 2003

http://pontoom.blogspot.pt/2009/08/o-simbolismo-do-pavao.html 

http://www.edtl.com.pt/index.php?option=com_mtree&link_id=701:conto-de-fadas&task=viewlink

http://www.letras.ufpr.br/documentos/graduacao/monografias/ps_2008/flavia_martinez.pdf