Réplica do Fogo Dentro
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de Jorge Fragoso

ColeçãoColeção Palavra Poema
GéneroPoesia
Ano2012
ISBN978-989-703-040-6
IdiomaPortuguês
Formatobrochura | 104 páginas | 15 x 21 cm

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            Com a Réplica do Fogo Dentro, atravessamos os mares. Todos. E vamos da juventude à morte do eu-lírico (e não só), que não se dá (exceto em palavras e na idéia das não-palavras). Atravessamos os mares todos em múltiplas variantes do amor: nas marés de amor e nos amores pelas marés, no melhor da lírica de Jorge Fragoso, o poema célebre “Eles os dois os barcos” (p.45), que o consagra como o grande poeta lírico e pós-moderno, sem medo de se arriscar por ondas desconhecidas, altas, de mares além-Pacífico. Nunca deixamos de sentir o fogo dentro por toda a travessia desenhada na obra e na qual imergimos, porque não se sai ileso(a) da travessia...

 

Gisele Wolkoff

Jorge Fragoso

Jorge Fragoso
(Beira, Moçambique, 1956). Licenciado em Filosofia. Editor. Membro da Oficina de Poesia – curso livre da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra – e sub-director da Revista Oficina de Poesia.
Livros publicados: Inima, (poesia), Coimbra, A Mar Arte, 1994;  O Tempo e o Tédio, (prosa-poética), Viseu, Palimage, 1998; A Fome da Pele, (poesia), Viseu, Palimage, 2004; Réplica do Fogo Dentro, (poesia) Coimbra, Palimage, 2012; Rua do Almada (contos), Coimbra, A Mar Arte, 1995 e Dez Horas de Memória (romance), Viseu, Palimage, 1999, traduzido e publicado em Itália, com o título Dieci Ore, Nápoles, NonSoloParole Edizioni, 2006.
Participação poética e ensaística dispersa em revistas e colectâneas em Portugal, Espanha e Brasil.
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de Montserrat Villar González

  • Inima, A Mar Arte, 1994 (Poesia)
  • Rua do Almada, A Mar Arte, 1995 (Contos)

A Travessia Permanente: na palavra final de "Réplica do Fogo Dentro" de Jorge Fragoso

de: Gisele Giandoni Wolkoff

por  Gisele Giandoni Wolkoff
 
Com a Réplica do Fogo Dentro, atravessamos os mares. Todos. E vamos da juventude à morte do eu-lírico (e não só), que não se dá (exceto em palavras e na idéia das não-palavras). Atravessamos os mares todos em múltiplas variantes do amor: nas marés de amor e nos amores pelas marés, no melhor da lírica de Jorge Fragoso, o poema célebre “Eles os dois os barcos” (p. 45), que o consagra como o grande poeta lírico e pós-moderno, sem medo de se arriscar por ondas desconhecidas, altas, de mares além-Pacífico. Nunca deixamos de sentir o fogo dentro por toda a travessia desenhada na obra e na qual imergimos, porque não se sai ileso(a) da travessia... Sempre nos acompanha a chama da paixão pelas palavras, pelo verbo e, mais, a crença no discurso declaradamente único, como o que lemos à p. 50, porque o
“silêncio
larva da sombra” (p. 66)
 
quer e busca luz, afinal
 “…provavelmente o que queremos
permanecer no poema como
 um amigo que foi inteiro…” (p. 77),
 
porque 
“o poema esculpe na língua
o verbo   enérgica carne…” (p. 52)
 
que na metáfora do(a) leitor(a)-viajante, desloca-se num ritmo perfeito, de sons orquestrados pelas aliterações e gradações ao longo dos versos, que já de início anunciam o “outro sentido” pelas metáforas da sexualidade, do ato sexual, que se quer materialidade constituída de e pela memória, e que marca a fonte da travessia do poeta: dos sentidos à transcendência. Começamos na ordem da constatação que alça o vôo da memória nos Momentos,
 
“a construção da magia   só a magia” (p. 12).
 
E mesmo na constatação já mais madura de que
 
“tudo
é
outro sentido”
 
o eu-lírico não teme dar a conhecer a sua metamorfose: do sentido primário do sexo à redenção da materialidade pela memória; assim, o sentido primeiro da paixão consolida-se na descrença e recrença/nascença dos sentidos: o entendimento de uma metafísica por descobrir:
 
“depois às vezes chegam os livros”  (p. 14)
 
E se a travessia competitiva do verbo é competência maior de um eu-lírico destemido, os ventos que sopram mar-adentro são responsabilidade da voz poética, do enunciar a denúncia das constatações-todas, não necessariamente mau-tempo…
 
“afinal o tempo é tão absoluto
como a fome” (p. 15)
 
ou, ainda, que
 
“a língua sabe o sabor do sono” (p. 21).
 
Um  leitor-passageiro desavisado pensaria, talvez, que a pontuação e a grafia com que nos brinda a escrita de Fragoso, sobretudo, no segundo Momento do livro, imprimem metonimicamente (alg)um ritmo estreante, ou (alg)um ritmo adolescentemente alucinante à jornada mares adentro. Mas, não! São os horizontes com que nos presenteiam as velas hasteadas do barco que é “eles os dois os barcos” e todo este livro de poemas – de difícil qualificação, porque eis uma obra em que quaisquer termos desqualificariam o que se diz por si próprio, o livro. As figuras como a personificação são uma estratégia esmerada de promoção do encontro do leitor com as águas da travessia anunciada:
 
“As lágrimas parecem-se com o fogo
de tanto arderem no silêncio
 
os sangues fazem-lhes amor
para imitar o esquecimento…” (p. 23)
 
E se a jornada em palavras é ao eu-lírco esta  uma sensação de que
 
“a língua saber o sabor do sono” (p. 21)
 
trata-se de um momento de trégua, de regresso ao destino da Metafísica, a partir do quê seremos brindados com a confluência do eu-lírico com o verbo (“laços lassos…”, p. 35).
 
Vale dizer que não é apenas a suavidade estremecida e a opacidade viva de poemas como “Palavra” e “Eles os dois os barcos” que consagram Jorge Fragoso como um grande poeta, mas também os “Pássaros de memória” (p. 37) que o autor convoca ao longo do livro (de Wallace Stevens, Robert Duncan à Ana Luísa Amaral) que o fazem pertencer a uma tradição que só é frágil porque ainda não incluíra um nome como o de Fragoso!
 
A consciência da complexidade discursiva aparece nesta travessia que é também a das fases da vida:
 
“a deusa é a ausência             branca
falha na cratera     breve do tempo
produz o sentido     os sentidos          prazeres do corpo
faz-se esquecimento…” (pp. 47, 48)
 
o que deixa de ser emboscada, para ser fronteira do que silêncio, do que se quer dizer e do que o eu-lírico diz efetiva-mente, no auge de sua maturidade:
“Nenhum hábito se faz de pedras
Quando a carne se desarma” (p. 65).
 
E é assim que a suposta impossibilidade da comunicação ser clara,
 
“se pudesse a cítara
 citar o mar…”
 
torna-se
 
“o fôlego feito de vento” (p. 52)
 
e visualizamos a força imperativa do condutor da travessia:
 
“cavalga cavalo de mar” (p. 54)
 
desejando ser o cavalo-cavaleiro-marinheiro, mar adentro, amando o mar, em mar de amor…