Respiração das Vértebras
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de João Rasteiro

ColeçãoSagesse Poesia
GéneroSagesse Poesia
Ano2001
ISBN978-9-72-985106-3
IdiomaPortuguês
Formatobrochura | 60 páginas | 15 x 21 cm

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Poesia do silêncio, das palavras que respiram, os múltiplos sentidos do sonho, do desejo, da impossibilidade de definir o espaço e o conteúdo entre o corpo e a respiração, entre o sentir e as palavras, sustentadas nas imagens do percurso que não corresponde a nenhuma linha sonhada. O corpo (o habitáculo da respiração) só faz sentido, se for articulado e sempre articulável com o mundo, de modo que a respiração das vértebras, do ser sonhador e por conseguinte sofredor, se integre numa espécie de consciência do espaço e do tempo que o sufoca, no íntimo dos caos. O poeta potencia através do corpo que respira, essa espécie de realidade virtual que é a explosão dramatúrgica da sua poesia, impotente perante vozes que provocam a erosão do eu, um eu que não consegue unitariamente sobreviver, no infinito desigual dos últimos milénios. Na poesia de ""Respiração das Vértebras"", há uma pujança de sonhos, uma eterna procura do ritmo certo da respiração e do horizonte, acentuados na vocação do silêncio, mas atentos no mínimo rumor ou gestos. Agradável surpresa, de uma poesia onde os ecos do silêncio, aparecem e afastam-se e regressam no corpo cosido.

João Rasteiro

João Rasteiro. Nascido ao terceiro dia do sétimo mês, de mil novecentos e sessenta e cinco, conforme os respectivos registos, já chegou com os olhos abertos. Ironicamente não disse primeiras palavras, cantou, para desconsolo de seus pais, pois nada tinha para dizer. Ligado estatisticamente à Administração Local é operário numa oficina de Poesia e visita frequentemente, as Literaturas Modernas, na Faculdade de Letras em Coimbra. Tem lançado para a fogueira, vários poemas, em Antologias e Revistas de poesias. Por vezes efectua leituras públicas em defesa das palavras ou para ocupar o tempo. Acredita na refinada ironia do destino e caminha em estreita relação com esse vício de escrever. É, como alguém já escreveu, ou pensou, "um ser intelectualmente irrequieto e insatisfeito". Sonha, um dia aprender poesia, com as crianças. Ao mesmo tempo em que tudo isto acontece, o Anjo sobrevoa a cidade sem pressa alguma.

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Respiração das Vértebras

de João Rasteiro

  • A Respiração das Vértebras, Edições Sagesse, Viseu, 2001.

Análise crítica à obra "Respiração das Vértebras"

de: Nuno Figueiredosaber mais

Com epígrafes de Fiama Hasse Pais Brandão e Herberto Helder abre o volume. Poesia tensa e concentrada, oscilando entre um silêncio e um rumor, como as vértebras no acto da respiração. Respirar como gerar palavras apagadas, que se evolam antes da forma, e todavia o corpo permanece(...) atento ao mínimo rumor ou gesto". Respirar para viver, manter as vértebras vivas, o sonho alerta. João Rasteiro não esquece nunca que "a sobrevivência dura num gosto de ameixas maduras" e que, por isso, se deve defender de todos os passos(que) conduzem à inclinação do tempo.
Pelo que fica dito se poderá concluir não ser esta uma arte de passividades e conivências: ela rompe com esquemas e códigos e avança destemida, e quase silênciosa, com a pressa de quem sabe que "o corpo vai adormecendo como espigas exaustas". João Rasteiro busca a cada passo o ritmo certo da respiração e das vértebras que a contêm e potenciam.Os sonhos cruzam-se com a decepção e o ceticismo e são o impulso das vértebras a caminho da sobrevivência, quem sabe se da imortalidade. Mas o poeta não ignora que "nenhum sombra nos prolonga/ no sulco sagrado das aves e nada impede o silêncio aparente da folha que vai cair/ no insípido travo da melancolia.
Pois é de melancolia, também que aqui se trata. De um respirar melancólico ante "o ar corrompido no corpo da terra/entregue ao acaso das artérias interiores, ante um mundo que as vértebras/corpo/ coração não aceitam nem podem alterar". Um impasse onde germinam vazios os lábios Mordendo vagarosamente as últimas chuvas, onde (...) o homem fiel ao rito de só beber o silêncio/ sustém estrangulado a respiração dos dias (...). E se por um lado há sempre (...) aguardando pacientemente em vigília/ o pássaro louco que procura a infância, não deixa de ser presente, a cada passo, a garantia segura do nosso fim inelutável: Nos pomares cresce a mortalha de linho quebrado, diz o poeta - e assim fecha este livro a muitos títulos assinalável. Não é fácil a tarefa de unir extremos e conciliar opostos com tanta subtileza; não é comum revelar tão sábia anatomia do sonho retirado do caos, através do tão puro silêncio que é a "Respiração das Vértebras". Vale a pena ler poesia, ocorre ao fechar o livro de João Rasteiro, que no final da heterodoxa resenha biográfica da badana refere que Ao mesmo tempo em que tudo isto acontece, o Anjo sobrevoa a cidade sem pressa alguma. Confirma-se o Anjo e a sua falta de pressa. Mudo. Olhando-se no espelho em cuja solidão se vê o homem.

Nuno Figueiredo, in Revista "entre letras - livros e escritores", nº 5, Maio 2003