Um Perfil Ético para Educadores
-20%

15,90€
12,72€

de Manuel Alte da Veiga

ColeçãoColeção Educatio
GéneroEducação e pedagogia
Ano2005
ISBN978-9-72-857579-3
IdiomaPortuguês
Formatobrochura | 200 páginas | 15 x 21 cm

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Com desenvolvimento intelectual de base filosófica e o domínio da sua profissão de educador, Manuel Alte da Veiga situa-se numa visão central de antropologia de que nunca abdica e em que evidencia as luzes, como é frequente, mas não esquece as sombras e dificuldades, o que é mais raro.
Baseado numa afirmação vasta e intensa do homem a educar, ele reclama frequentemente as exigências dessa educação perigosamente esquecida, e não evita recordá-la sempre que o julga necessário, pois ele mesmo reconhece "que lhe subjaz um pensamento tipicamente circular".
Este livro, partindo da "espiral da vida" em que apresenta a identidade, a filosofia, a ordem e a originalidade da educação, fixa-se depois nas perspectivas da autoridade e do doutrinamento, e progride na análise da libertação, crise e meditação dos valores, para finalmente concluir com o capítulo: «à vontade em sua casa», cujo título pode parecer estranho mas aprecio particularmente, porque é também o sugestivo desfecho do seu livro.
O que o Autor afirma da deontologia profissional em que "pretende apenas contribuir para que se iluminem sempre mais alguns dos conceitos e temas centrais" julgo que o podemos estender facilmente a todo o livro que evita divisões e subsivisões talvez fastidiosas e se empenha sobre-tudo (e é esse o seu maior mérito!) em esclarecer e desenvolver os temas centrais que adornam "o perfil ético para educadores" enquanto "sinal daquilo que vale a pena", para reter uma sugestiva expressão muito sua.
"A maioria dos capítulos, escreve, tem por base artigos publicados em locais diversos" e é sempre valioso juntá-los num livro para leitura mais acessível. Para mim foi um momento agradável e instrutivo a sua leitura, e creio que também o será para os seus leitores.

Lúcio Craveiro da Silva

Manuel Alte da Veiga

Manuel Alte da Veiga é professor na Universidade do Minho. (Instituto de Educação e Psicologia).
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Um Perfil Ético para Educadores

de Manuel Alte da Veiga

Alte da Veiga alumia procura: docente decente para discente

de: A. Costa Guimarães

UM PERFIL ÉTICO PARA EDUCADORES
Alte da Veiga alumia procura: docente decente para discente

Se vos perguntar — um a um – qual era o nome do primeiro professor, tenho a certeza que seriam poucos os que não se lembrariam do seu nome e da sua fisionomia. É essa marca de água— como a das notas que atesta o valor (axios) do dinheiro — que acompanha a nossa memória por toda a vida, pela positiva e pela negativa. Não esquecemos quem vale a pena, quem tem valor na nossa vida…
Este desafio à nossa memória serve apenas para nos situarmos na infância e juventude e reconhecermos o valor do tema do livro que nos reuniu aqui.
Em primeiro lugar, é uma honra para mim ter sido cnvidado pelo prof. Manuel Alte da Veiga para apresentar esse livro.
Francis Bacon afirmava que há livros que apenas é preciso provar, outros que têm de se devorar, outros, enfim, mas são poucos, que se torna indispensável mastigar e digerir. É este o caso e eu espero despertar a curiosidade suficiente em vós não só para o provar ou mastigar, mas sobretudo, digerir, fazendo dele alimento.
Procurarei, ao fim de breves minutos, que ele não se sinta envergonhado da opção que fez.
Em segundo lugar, dar os parabéns à Palimages, através da sua delegação de Braga, pela confiança que depositou em mim, a qual se deve não ao meu valor, mas à amizade que nutrem por mim.
Em terceiro lugar, mas não em último, muito obrigado a todos vós combatentes da cultura e da cidadania porque colocasteis no topo das vossas prioridades nesta magnífica tarde de sábado, vir ouvir um aprendiz falar da obra de um mestre da pedagogia. Sinto-me estremecido.
Este senhor professor que faz o grande favor de ser um grande amigo pessoal e do Correio do Minho — a quem ajuda a crescer e a subir todas as semanas — oferece-nos um livro que não é só para os professores. É para os educadores e para os alunos, ou seja, para todos nós.
Partindo do coração do ser humano, Manuel Alte da Veiga pega na nossa mão e ajuda-nos a percorrer a auto-estrada do tempo livre até ao centro da antropologia, onde se encontra a raíz da paixão pelo saber, a seiva da libertação e a essência dos valores que valem a pena… afinal, tudo se resume a contribuir para um modelo de docente decente para um discente…
É isso mesmo, “Perfil ético para educadores” – sejam eles pais ou aqueles que têm uma profissão (os professores), jornalistas ou cidadãos interessados pelo futuro que se constrói sem renegar o passado — seria um caminho de negação — constitui para o leitor uma “busca comum do que vale a pena”.
Ser professor é uma profissão diferente: o docente não se limita a prestar serviços porque estabelece profundas relações humanas, capazes de ditar o destino dos seus clientes (alunos) e deles próprios.
Antes de mais, para que nos entendamos, é bom começar por definir alguns conceitos.Parece pacífico definir um perfil como delineamento ou contorno do rosto de um indivíduo, ou aspecto de um objecto visto de um dos seus lados, neste caso, o lado ético.
Ética ou teoria dos valores. Este delineamento ou contorno da realidade nasceu com Sócrates por oposição à física, para responder à pergunta: qual é o verdadeiro destino do homem.
Para uns, o objectivo supremo do homem é a felicidade; para outros, é a virtude ou prática do dever. Para uns o homem é feliz, para outros, como Kant, só é feliz aquele que faz por merecer.
A ética não está no conteúdo de um acto mas no modo como a praticamos. Modernamente, a ética ou moralidade apresenta-se como uma teoria das relações com os outros, uma filosofia da comunicação.
Em síntese, a ética resulta da prática do bem, da justiça, por respeito ao dever, inspirado na nossa natureza (fazer ao outro o que gostamos que nos façam), capaz de suscitar a simpatia e gerar entusiasmo no outro.
O que é ser educador? É o que conduz? É o que faz uma cabeça bem cheia (Rabelais) ou faz uma cabeça bem feita (Montaigne) a partir do contributo da natureza rousseauniana ou destacando o papel comtiano da sociedade?
Para Alte da Veiga, o educador é aquele que suscita a curiosidade e interese pelo educando, aquele que sai das suas muralhas e se expõe perante quem quer que venha. É a palavra que alumia.
Diante dele está a plenitude de uma pessoa, numa sociedade que queremos não de elites mas de eleitos, onde cada qual tem um lugar insubstituível, não é um número. Ao educador cabe estar atento, como o médico para o doente, o pai para o filho.
Os grandes objectivos do educador neste “perfil” devem ser conseguidos tendo em conta o respeito pelo outro, a solidariedade responsável, a criatividade, a lealdade, domínio próprio e delicadeza.
Ao ser o grande construtor para a descoberta individual de quem procura o que vale a pena, tem de ser um profissional com valores — ser forte. E qual é a força (valor) que se pede para essa pessoa? A pessoa, bem, vida, verdade, felicidade.
Há muita religiões (um só Deus), muitos costumes (a mesma dignidade da pessoa) e muitos caminhos para construir a Felicidade, o bem, a vida.
Educador é o “être aux aguets” — aquele vigia que se esconde para proteger de longe ou para caçar. Em tensão, para não perder a surpresa. Sim o aluno é sempre uma surpresa numa infindável revelação.
O Educador é quem mais vezes sente a morte: ciclicamente, os alunos deixam-no, morrendo para eles e nascendo para mais vida. O educador morre para o educando e o educando para o educador. Porque sente a morte, sente o dever de servir a vida, de viver presente e de tirar proveito do bom e do mau do passado.
Agarrado a eixos (axios) fortes, cicatrizados em cada um dos conceitos, Manuel Alte da Veiga não é um apocalípse para aqueles a quem ele já se revelou mas – digo-vos, com toda a força da alma, – é um aguilhão a ferroar-nos a complacência indiferente com que alimentamos o nosso desleixo na construção de uma comunidade.
É um grito de alerta à nossa comunidade que, a continuar assim, está condenada a bater com a cabeça na porta de uma farmácia para comprar valores, conceitos e princípios, se não se libertar dos elos que a paralisam e impedem de educar para a cidadania.
Tudo começa na surpresa de uma espiral da vida entranhada de ordem, por um lado, e de originalidade, por outro, passando pela morte, sem nunca esquecer as etapas da autoridade e do doutrinamento, que exigem qualidade e avaliação, sem deixar de se interrogar sobre os valores que devem ser despertados por aquele que tem uma profissão com deontologia e ética.
Não há melhor forma de surpreender o leitor como iniciar um livro com um combate, um confronto entre a identidade e a deontologia, do qual Manuel Alte da Veiga extrai um manancial de armas que devem ser colocadas na mão do professor/educador ao serviço da identidade do aluno/educando.
Esta batalha é cada vez mais necessária porque vivemos num tempo de crise de valores que relega a deontologia e a identidade para o cofre das tradições inertes. Tanto é assim que o educando vive sob a ameaça ou sombra sinistra de um modelo que o pune severamente sempre que se afaste demasiado de um modelo definido.
Neste cenário é possível falar-se de identidade quer do professor quer do aluno, quando o modelo predominante e imposto os conduz à despersonalização num acto de servilismo ao que está na moda?
Como se pode falar de deontologia quando retiram ao professor a liberdade que o seu dever pressupõe? Pode-se falar de educação ou antes de um sistema que fabrica bibelots em série, sem ter em conta a individualidade, a identidade? Há liberdade sem responsabilidade? Há responsabilidade sem liberdade?
Para responder a estas perguntas, Manuel Alte da Veiga socorre-se do sentimento e da razão como fontes de conhecimento para iluminar a realidade actual...
A educação é manipulação de um ser humano? Às vezes parece, tal é a pressão que valoriza, a perfeição técnica do processo e do produto, eliminando o valor da originalidade e autoridade de cada pessoa, do qual depende a qualidade da pessoa humana.
A meta da educação é o Kaloskagathós — belo e bom— dos gregos, a perfeição interior com a perfeição do corpo? É criar um católico perfeito? É fazer um marxista acima de toda a mácula?
Até que ponto nos tornamos humanos apenas porque somos educados por um mestre ou um pai?
Então, coloca-se nova questão: qual é o conteúdo da educação para um ser humano, num tempo em que o que VALE A PENA foi substituído pela lei da procura-oferta?
O caminho seguido por Alte da Veiga, para nos dar resposta a estas perguntas, partiu do significado original das palavras que usamos para formular estas questões.
O valor da identidade nota-se mais quando se esvanecem os enquadramentos do nosso útero número dois, a comunidade ou a família. Mas também se pressupõe que uma pessoa só se manifesta na sua identidade enquanto supera o fatalismo dos condicionalismos em que nasceu.
A identidade é um conceito positivo na medida em que se constrói com o material do passado e consegue superar as dificuldades e ameaças no presente.
Daqui que seja inaceitável o pessimismo do professor uma vez que a identidade de uma pessoa é um acto de construção, de positividade, de superação e não de destruição, de negatividade e de sujeição.
Mais…, a escola onde se realiza esse processo de superação, de construção e de positividade, que se faz interiormente, exige tempos e espaços de liberdade para que se estabeleça afectiva e efectivamente a transformação do eu em resultado do meu contacto com a sociedade que me rodeia.
E chegamos a um dos momentos que mais me deliciam na escrita de Manuel Alte da Veiga — o regresso à etimologia das palavras.
Escola significa TEMPO LIVRE enquanto a palavra liberdade significa CRESCIMENTO (cf. Indo-europeu Leudh = subir, crescer).
E como se articula este tempo livre – que é a escola – de crescimento – a liberdade – com a identidade de uma família e uma comunidade, sem amesquinhar a identidade de cada um?
Sim, porque os pais não querem ver os filhos com valores diferentes dos seus ou desenraizados dos costumes ancestrais.
Faz-se através do aprofundamento da cultura de cada grupo, das tradições de cada família e dos valores de cada comunidade, reconhecendo que essa cultura, essas tradições e essas valores não são únicos nem precisam de ser verdadeiros.
Mudar para pertencer a um grupo superior é a afirmar a inferioridade do grupo a que pertencemos. O que é axial (digno, com valor), fundamental, essencial é o que queremos ser. Seja qual for a nossa cultura, sejam quais forem os nossos valores, sejam quais forem as nossas tradições do útero número dois, devemos — professor e educando — procurar o QUE VALE A PENA nesta espiral da vida.
Umbilicalmente unidas estão identidade e autenticidade e a crise da primeira está intimamente unida à segunda e coloca-se quando nos interrogamos: a cultura a que quero pertencer é autêntica? Antes de responder, devemos afastar a moda que classifica de autêntico aquilo que é pobremente comum ou nivelado pelo zero.
Ao dizer “ cultura autêntica” estou a afirmar que as outras culturas são desviantes e isto aplica-se quando dizemos “este professor é autêntico” ou esta “religião é autêntica”. Estamos a um passo do perigo de conservadorismo ou de fanatismo.
Então o que é autêntico? É aquele que mostra iniciativa, que tem poder, é principal, é primordial.
Chegados aqui já percebemos porque é que ninguém – a começar por mim próprio — sendo autêntico e com identidade tenha o direito a exigir que o outro seja autêntico ou construa a sua identidade, por muito que eu pretenda respeitar a liberdade. Dá sim o direito e o dever de iluminar o valor ou valores da autenticidade e da identidade, permitindo ao outro crescer, subir (ser livre).
A vida é crescimento e não deve ser abafada; é liberdade e não indecisão ou estagnação.Este crescimento e esta liberdade não devem ser alimentadas sem balizas. Manuel Alte da Veiga gosta de uma equação que é assim:
HERANÇA+CRIATIVIDADE=PROGRESSO.
É que o culto exagerado da herança conduz ao imobilismo, ao legalismo e ao conservadorismo, enquanto o acento exacerbado na criatividade descamba na anarquia, desagua no vazio (tão bem caracterizado por Giles Lipovetsky no seu livro “A era do Vazio”), e alimenta a desfundamentação que desperdiça toda a riqueza já disponível.
Amassando a herança e criatividade na espiral da vida vamos encontrar o fermento original: ordem e originalidade, palavras que têm a mesma origem da raíz indo-europeia que significa adaptação.
Ora, um professor bem sucedido é aquele que sabe fazer com que a minha criatividade descubra a ordem como eixo à volta do qual eu construo o meu caminho de identidade, mesmo que sinuosamente, com erros e com desaires. São estas peripécias que alimentam a nossa sabedoria e fazem de nós uma pessoa única, original.
Desenvolvendo este raciocínio, Manuel Alte da Veiga conclui que a idade da força da vida é aquela em que o indivíduo se pode entregar à amizade, ao amor e às diversas actividades, com mais ou menos responsabilidade social, sem ter medo de destruir a sua identidade ou ser destroçado.
Assim, a educação não precisa de golpear a vida mas tem de ser a arte de podar os ramos para que dêem mais fruto. A educação precisa de incentivar à vida, instigar a fazer frente à morte e ao sofrimento, testando o indivíduo para o sentido persistente da vida.
Definida a identidade/autenticidade como marca de água da educação, resta agora falar da deontologia, destrinçar o perfil ético do educador, do que ilumina os valores da autenticidade e da identidade, daquele que poda os ramos para a liberdade (no sentido de subir e crescer), contra a indecisão e a estagnação, de acordo com a equação:HERANÇA+CRIATIVIDADE=PROGRESSO.
O dever central do educador é iluminar para que as trevas não dominem a luz, pelo que a deontologia não deve reduzir-se a um código minucioso, legalista, porque está longe da dinâmica e da liberdade. Esse código entronca no significado da expressão “ser professor” que é “ter profissão”.
Tendo em conta o crescer, o subir, o eixo ético do professor é o “dever de nos compreender, de aumentar”. A isso deve associar-se a violência. Cuidado! O educador deve ser partidário da força da vida (vis) ou seja, lutar pelas condições que favoreçam a generalização a todos, e com qualidade, dos mais altos níveis de educação possíveis”.
O educador deve possuir autoridade, ou seja a capacidade de se impor e influenciar os outros, graças a certa superioridade reconhecida (Cabral): o aluno reconhece que o professor o convida a construir o homem adulto, liberto da ignorância e de muitas formas de dependência. Mergulhemos de novo na raíz indo-europeia da palavra autoridade e encontramos ‘aug’ que quer dizer aumentar, ou então no latim: garantia, fiança, influência, prestígio, importância, modelo, promotor, criador.
Por isso, a autoridade não se confunde com a destruição da identidade porque a razão de ser da autoridade é fazer com que o sujeito sobre quem actua deixe de precisar do seu auxílio, pois já cresceu ou subiu.
Para que seja eficaz e criadora de ordem (em complemento da criatividade), a autoridade deve gerar um grupo no qual todos se saibam escutar uns aos outros, promovendo a diferença que enriquece o painel de conhecimentos e as razões para a decisão.
A autoridade do professor não é autoritária. O autoritarismo desconhece a personalidade dos outros e não admite outros modos e pensar e degenera num formalismo vazio e sem sentido (cf.p.65).
A autoridade exagerada, sem compensação do afecto, provoca regressões, medo, passivismo masoquista (prazer na opressão, humildade doentia) ou agressividade sádica. Numa palavra: a autoridade a mais ou a menos deterioram a personalidade.
Directamente associado à autoridade está a qualidade: esta é que interroga e questiona aquela. A qualidade como interrogação não aceita o stop, o estaticismo do adulto, fazendo do ser humano um ‘adolescente’ para toda a vida…
Um educador de qualidade incentiva a viver, a fazer frente ao sofrimento e à morte, fazendo crescer o ser humano.
Há um caminho para a qualidade?
A qualidade é o próprio caminho (parafraseando Gandhi, acerca da paz).
O trabalho gera felicidade e qualidade de vida além de proporcionar o apreço dos outros, o reconhecimento.
A educação é “uma relação pessoal entre duas pessoas, em que uma delas se comprometeu a ajudar o desenvolvimento da individualidade da outra. É uma resposta de uma pessoa a outra, dentro de uma situação particular”.
Daí que a ética de um professor pode ser resumida ao “professar a sua identidade”, proclamar que vale a pena construir, penosa e alegremente, o sentido da vida, sem se apresentar como modelo, mas mestre na aceitação do erro em mim e nos outros.
Deve ser modelo da insatisfação que gera o impulso da contínua procura do que vale a pena construir: fazer com que cada pessoa se sinta em casa (fazer seu, como diz a palavra swedh, de raíz indo-europeia.
Mas esta caminhada faz-se tendo como bermas um código de valores ou um código deontológico?
O código de valores resulta de uma relação entre valor e liberdade, ou seja comportamentos diversos. O segundo é um conjunto de regrasgerais para contextos semelhantes. O primeiro é superior e antecedente.
O segundo é mais administrativo, daí que Alte da Veiga prefira falar de um perfil ético em contraponto a um código deontológico, como “sinal daquilo que vale a pena”.
Um professor “não ensina só um determinado conteúdo, com certas palavras, mas também uma maneira de estar na vida”. Aqueles que por vocação escolhem dedicar-se a enfrentar e revelar aos outros o que vale a pena (valor) são professores. O professor é o libertador dos valores dos quais está alimentado.
O perfil ético do educador é inseparável do princípio da sabedoria, daquele que se senta à porta de quem a procura desde a aurora ou utilizando outra palavra de Alte da Veiga, é como o cisne que alimenta as crias da sua própria comida.
Confesso-vos que aprendi a ler com os conselhos do grande mestre João Mendes, para quem ler é ler-se, para além da arte de tirar apontamentos e fichas do que se lê.
Por isso, dei por mim a sublinhar quase todos os parágrafos. Eram todos suculentamente substantivos… como escreve a Agustina…, melhor, são “úberes entesados a jorrar pontos de referência que nos balizam ou amamentam.
Como diria Franz Kafka, se estivesse no meu lugar, este livro é um machado que quebra o mar gelado que possa existir em nós.
Oxalá, todos nós, após ler este livro, nos sintamos as crias deste cisne que é o prof. Manuel Alte da Veiga.
É a melhor prova de gratidão que podemos oferecer ao mestre que nos ajuda, em cada página, a encontrar o que vale a pena, na espiral da vida que deve crescer como tempo livre matriciado de criatividade e caboucada na herança.


A. Costa Guimarães