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POESIA DO MUNDO / 5 Antologia Bilingue
Coleção Palavra Poema
Género Poesia
Ano 2007
ISBN 978-972-8999-32-2
Idioma Português
Formato brochura | 232 páginas | 13 x 24 cm
15,90 €
12,72 €
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Descrição

EDIÇÃO ORGANIZADA POR
Maria Irene Ramalho de Sousa Santos

COM A COLABORAÇÃO DE
Adriana Bebiano
Graça Capinha
Isabel Pedro
João Paulo Moreira
Maria José Canelo



Prefácio

Maria Irene Ramalho de Sousa Santos

O Poético é Político

Em Poesia do mundo 5 está reunida uma mostra bilingue da obra dos poetas que participaram no V Encontro Internacional de Poetas, o qual teve lugar em Coimbra em Maio de 2004.Desde há quinze anos, de três em três anos, docentes do Grupo de Estudos Anglo-Americanos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra organizam, com grande prazer mas enorme custo pessoal, os Encontros Internacionais de Poetas. São também em larga medida da nossa responsabilidade as traduções fornecidas.
Por que razão nos damos tamanho trabalho? Porque teimosamente insistimos em ser humanos e em convidar todos a assumir plenamente a sua humanidade. Enquanto o mundo à nossa volta se desmorona, a ocidente e a oriente, por desrespeito brutal da beleza e espanto de existir, nós reunimos poetas, coerentes com a nossa vocação de humanistas e professores, para significar a nossa fé na possibilidade de uma ampla comunidade de gentes de diferentes origens nacionais, étnicas e culturais, de diferentes crenças religiosas, convicções políticas e modos de estar no mundo e viver a vida. Pessoas diferentes que, porém, têm algo em comum: o respeito pela palavra "cognata".
Foi Hart Crane quem, de forma pungente, suplicou um dia que a sua palavra (isto é, a sua poesia) falasse a verdade. Sem o mais profundo respeito pelo rigor da língua, o poeta sabia-o bem, a verdade está para sempre perdida. Não falo de escapismo. A poesia não se destina a rasurar as atrocidades cometidas por seres humanos, como todos nós, neste preciso momento, em várias partes do globo. A poesia não é esquecimento. Como diz Mamoud Darwish, a poesia é "memory for forget-fulness". A poesia faz as perguntas para as quais não parece nunca haver resposta. Enquanto consciência da consciência (Fernando Pessoa), a poesia fala a liberdade e a responsabilidade. Ao oferecer aqui, no original e em tradução portuguesa ou inglesa, dois poemas de cada um dos quarenta poetas do V Encontro, oriundos dos cinco continentes e de diferentes países, culturas, crenças e línguas, vimos uma vez mais propor uma reflexão profunda sobre a beleza pura e a terrível justeza da língua.
"Centros e Margens" foi o tema que presidiu ao V Encontro. Embora a distinção seja absurda em termos poéticos -- a poesia coloca no centro, como explicou Seamus Heaney numa conferência memorável -- em termos políticos ela é muito importante. Bastará mencionar a dificuldade que tivemos em conseguir vistos para alguns dos poetas. Nesta nossa era dita de globalização, é ironia sem sentido que o acto de convocar a poesia seja constantemente prejudicado pelas fronteiras impostas por nações, colonialismos, guerras e preconceitos. As poetas do Perú e da Tailândia tiveram de obter vistos. E sem o auxílio do Embaixador Joaquim José Ferreira da Fonseca em Ramallah, não teria sido possível trazer ao V Encontro Ghassan Zaqtan, o poeta palestiniano que é, na sua própria terra, um não-cidadão de um não-país.
A música da poesia convoca-nos sem nos deixar esquecer as condições aterradoras em que nos obrigam a viver uns com os outros. Como se ouve cantar num dos poemas da poeta angolana Ana Paula Tavares incluídos nesta antologia, a poesia traz consigo, a um tempo só, a beleza e a dor, a esperança e o desespero, o assombro e a revolta. O canto tem os pássaros certos para seguir a queda dos dias.



Preface

Maria Irene Ramalho de Sousa Santos

The Poetical is the Political

Poesia do mundo 5 gathers together a bilingual sample of the work of the poets that participated in the Fifth International Meeting of Poets, held in Coimbra in May 2004.For fifteen years now, every three years, members of the Department of Anglo-American Studies of the Faculty of Letters of the University of Coimbra have been putting together, with great pleasure but at great personal cost, the International Meetings of Poets. We are also largely responsible for the translations provided.
Why do we bother to do such a thing? Because we stubbornly insist on being human and urging everybody else to assume their humanity as well. As the world around us crumbles, West and East, in apparent brutal disregard for the beauty and wonder of existing, we bring poets together, consistent with our call as humanists and teachers, to signify our belief in the possibility of a broad community of peoples of different national and ethnic origins, religious and political persuasions, and ways of being in the world, yet sharing a basic common principle: respect for life and delight in the "cognate" word.
It is Hart Crane who poignantly pleads for his word (that is to say, his poetry) to be truthful to reality. He knew that, without profound respect for the rigor of language, what we call "truth" would be lost forever. Needless to say, I am not speaking of escape. Poetry is not to console by erasing the atrocities perpetrated by human beings, like us all, every minute in every part of the globe. Poetry is not forgetfulness either. As Mamoud Darwish says, poetry is "memory for forgetfulness." Poetry asks difficult, ever unanswered questions. Poetry is the consciousness of human conscience (Fernando Pessoa) and as such it bespeaks human freedom and responsibility. Offering you here, both in the original and in Portuguese or English translation, a couple of poems by each of the forty poets of the Fifth Meeting, coming from all the five continents and many countries, cultures, beliefs, and languages, we once again propose a serious reflection on the stark beauty and terrible accuracy of language.
"Centers and Margins" was the topic that presided over the Fifth Meeting. Although the distinction is absurd in poetical terms -- for poetry centers, as Seamus Heaney explained once and for all in a memorable keynote address -- it is crucial in political terms. Suffice it to mention the difficulty we had in securing visas for some of the poets. In this our age of so-called globalization, it is senselessly ironic that the act of bringing poetry together is constantly thwarted by the frontiers imposed by nations, colonialisms, wars , and prejudices. The poets from Peru and Thailand had to apply for visas. Moreover, without the help of Ambassador Joaquim José Ferreira da Fonseca, the Portuguese diplomat in Ramallah, Ghassan Zaqtan, the Palestinian poet, a noncitizen of a noncountry in his own homeland, would never have been allowed to attend the Fifth Meeting in 2004. The music of poetry brings us together without letting us ignore the appalling ways in which we are forced to live together. As in one of the poems by the Angolan poet Ana Paula Tavares herein included, poetry brings along beauty and sorrow, hope and despair, wonder and revolt at one and the same time. The chant carries the birds that follow the fall of days.
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Em caso de litígio, o consumidor pode recorrer ao Centro de Arbitragem de Conflitos de Consumo do Distrito de Coimbra, com sítio em www.centrodearbitragemdecoimbra.com e sede em Av. Fernão Magalhães, Nº. 240, 1º, 3000-172 Coimbra
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