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          PRÊMIO DE POESIA

GUILHERME DE ALMEIDA 2019

Depois de receber o Prêmio Poesia e Liberdade Alceu Amoroso Lima-2018, no Rio de Janeiro, pelo conjunto da obra, o poeta Álvaro Alves foi distinguido com o Prêmio Poesia Guilherme de Almeida-2019, também pelo conjunto de sua obra poética e sua dedicação à Poesia a vida inteira.

O Prêmio Guilherme de Almeida foi instituído pela resolução n. 05/2015, destinado a pessoas físicas ou jurídicas que tenham prestado valiosa colaboração à literatura, ao cinema, teatro, à música, às artes plásticas e outras formas artístico-culturais de São Paulo.

A sessão de entrega do Colar de Poesia Guilherme de Almeida foi realizada no Salão Nobre da Câmara Municipal de São Paulo, com a presença dos nomes mais importantes e destacados das artes de São Paulo e do Brasil.

Prémio Guilherme Almeida 2019 Álvaro A Faria imagem 1

A cerimônia foi encerrada com o discurso do poeta Álvaro Alves de Faria, de grande impacto entre os presentes. No final da solenidade o poeta afirmou que ficou até mesmo perplexo diante da reação da plateia às suas palavras. “Falei com raiva por tudo que está acontecendo neste país em que todos vivemos acuados diante do desmando, diante de governos corruptos, uma paisagem lastimável que faz do Brasil um país desprezível para quem é honesto e vive de seu trabalho”.

O poeta disse mais: “Esse desmando e esse descaramento dos que se julgam salvadores da pátria atingiu também as artes em geral. Neste governo atual, o setor da Cultura foi relegado ao último lugar das prioridades brasileiros. Mas está nas artes a identidade brasileira, a cara do país, a fala do país. A arte reflete tudo e a poesia, em particular, é a voz do povo que não pode falar, que está sempre à margem de tudo. Mas é preciso resistir sempre. Como cidadão e como jornalista profissional nunca vi o Brasil assim no fundo de um poço sem fim. Não existem saídas. Sou cético. Definitivamente deixei de sonhar e de pensar também ao ver verdadeiros ladrões do dinheiro público sendo tratados como heróis. Este é um país de merda.Um país vagabundo que não vale o sofrimento de seu povo, enganado em tudo”

Prémio Guilherme Almeida 2019 Álvaro A Faria imagem 2

A seguir, trecho final do discurso do poeta Álvaro Alves de Faria, aplaudido de pé, aos gritos. A seguir, o poeta mal conseguia andar pela Câmara Municipal, tantos eram os abraços e beijos de tantas mulheres e homens que se mostravam comovidos. “Nunca tirei tantas fotos na minha vida, numa fui tantas vezes cumprimentado. Eu sou apenas um poeta e um poeta neste país vagabundo não representa nada. Mas é bom que eles pensem assim. A poesia está cada vez mais viva”.  

Sinto imensa honra de estar aqui.

E me honro pelo motivo que me trouxe hoje à Câmara Municipal de São Paulo, para receber um prêmio que leva o nome de um dos poetas mais importantes que este país já teve.                                                           

Tenho muito a agradecer, amigos, parentes, minha esposa Maria Antonia, que aqui está, minhas filhas, Deise de Fátima e Amanda de Fátima.

Muito a agradecer a muitas pessoas, meus amigos poetas que ainda sonham, como eu, e perseguem esse sonho porque acreditam.

Conheci pessoalmente Guilherme de Almeida, levado a ele pelo poeta Paulo Bomfim, quando eu era um adolescente.

Anos depois, vieram os tempos de escuridão, em que caminhei numa vida clandestina que me feriu mortamente, além dos dias sombrios da verdadeira barbárie dos subterrâneos, onde o cheiro é insuportável e a dor não cessa.

A história se faz assim. E toda história tem sempre dois lados, o lado dos vencedores e o lado dos derrotados.

Eu estarei sempre entre os derrotados.

Quero lembrar neste momento que, no final do ano recebi o Prêmio Poesia  e Liberdade Alceu Amoroso Lima-2018, no Rio de Janeiro.

E agora este que leva o nome desse grande poeta que foi Guilherme de Almeida, chamado de o Príncipe dos Poetas brasileiros.

Minha vida inteira dediquei ao livro, ao jornalismo, à literatura em geral e à poesia em particular. Mais de 50 livros publicados no Brasil - romances, ensaios, livros de entrevistas literárias e especialmente livros de poesia, porque sou fundamentalmente poeta. Some-se a isso também o teatro.

Fora isso, 19 livros de poesia publicados em Portugal e 8 na Espanha.

Quero dedicar este prêmio aos meus pais, Álvaro, que nasceu em Angola, na África, e Lucília, que nasceu em Anadia, Portugal, a 25 quilômetros de Coimbra.   

Prémio Guilherme Almeida 2019 Álvaro A Faria imagem 3

Cumprimento a todos aqui presentes, os amigos poetas, os que ainda acreditam. E será preciso acreditar sempre. Por mais que machuque, por mais que a poesia nos cause ferimentos, por mais que choremos essa dor que nunca passa... é preciso acreditar. E é preciso resistir sempre, sempre, sempre, sempre. É preciso resistir sempre. Em nome da liberdade, em nome do homem, em nome dos marginalizados, em nome dos que não têm nada, em nome dos moradores de rua.

Resistir sempre em nome da poesia. 

Em nome dos que desapareceram, dos companheiros que perderam a voz e a palavra, em nome dos que perderam a vida. Em nome do homem, da mulher, das crianças, das plantas, dos bichos.

Resistir em nome da vida.

Sendo este um prêmio dedicado à poesia, que leva o nome do grande poeta que foi Guilherme de Almeida, termino a leitura de um pequeno poema. Dei a esse poema o nome “Baralho”, porque representa um jogo em que o perdedor já está marcado e nada poderá fazer:

 

BARALHO

Jogo minha sorte e minha vida,

mas eles temas cartas melhores.

Tenho somente o 2 de paus

                          o 2 de ouro

                          o 2 de copas

                          o 2 de espadas.

Eles têm o ás

além dos reis, dama e valete.

Fora as maiores cartas de todos os naipes.

Jogo o que me resta jogar

com uma luz acesa

em cima da minha cabeça.

Com as cartas que tenho

não me reta qualquer chance.

Eles então me olham

com o jogo decidido,

dizem palavras que não ouço

e pedem que me encoste na parede:

O primeiro soco é na boca do estômago.

Minhas cartas caem na mesa,

abertas como uma manhã de setembro.

Então eles rasgam

o que me restou do jogo

e me dão o tiro de misericórdia.

Então você tenta

você tenta

você tenta uma vez

você tenta duas vezes.

Três, oito, quinze.

Você tenta

quinze vezes

você quer apenas

o que lhe pertence

você tenta

você tenta trinta vezes.

Depois você desiste

e eles riem

mas eles não podem rir de você

nunca permita

que eles riam de você

nunca permita.

   

 

46523806 2058903034148235 4223906065655267328 nO poeta brasileiro da Geração 60, autor da Palimage, Álvaro Alves de Faria, que vive em São Paulo, foi distinguido com dois dos mais importantes prêmios literários do Brasil, na área da poesia, pelo conjunto da obra.

Inicialmente recebeu o “Prêmio Poesia e Liberdade Alceu Amoroso Lima” e agora o “Prêmio Guilherme de Almeida para Poesia”, que será entregue em junho em sessão solene na Câmara Municipal de São Paulo.

Dois prêmios de reconhecimento da obra de um poeta que escreve desde os 11 anos de idade e que vem anualmente a Coimbra para lançar livro, e à Salamanca para participar dos Encontros de Poetas Iberoamericanos, organizados pelo poeta peruano-espanhol, Alfredo Pérez Alebcart, professor da Universidade de Slamanca que, em 2007, foi em sua homenagem.

Alceu de Amoroso Lima (1893-1983), que dá nome ao Prêmio “Poesia e Liberdade”, foi um dos mais importantes intelectuais brasileiros, que adotou o pseudônimo de Tristão de Ataíde. Escritor, crítico literário, professor universitário de Literatura, sempre se envolveu nos movimentos políticos e nas questões sociais do Brasil. Sua obra notabilizou-se com as duras críticas que fez à censura e transgressões do regime militar que se implantou no Brasil em 1964. Em vida, ministrou cursos sobre civilização brasileira em universidades estrangeiras dos Estados Unidos e também na Sobornne, em Paris. Em 1935 foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras.

Guilherme de Almeida (1890-1969), por sua vez, era chamado de “Príncipe dos Poetas Brasileiros”. Foi um poeta notável, tradutor de nomes important4es da literatura universal, como Charles Baudelaire. Também, escreveu ensaio literários. Participou da Semana de Arte Moderna de 1922, realizada no Teatro Municipal de São Paulo, que mudou a literatura brasileira. Em 1930 foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras. Juntamente com outros poetas e escritores - entre eles Alceu de amoroso Lima - Guilherme de Almeida foi um dos líderes da renovação da Academia. Foi membro do Seminário de Estudos Galegos de Santiago de Compostela, na Espanha, e do Instituto de Coimbra em Portugal. Ao mesmo tempo integrava o Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo. Participou da Revolução Contitucionalista de São Paulo, em 1932, e por esse motivo esteve exilado por longo tempo em Portugal.

O poeta brasileiro Álvaro Alves de Faria, uma das vozes mais significativas da poesia brasileira atual, diz que se sente honrado com os dois prêmios.
Explica: “Sempre fui um militante da poesia. Sempre dei tudo de mim. Vivi até agora em função da poesia de meu país, da qual me tornei uma espécie de dissidente, tal a mediocridade que cresce cada vez mais na cultura de meu país, atingindo a poesia de maneira brutal, com livros inconsequentes que nada têm a ver com a poesia verdadeira, aquela feita para a vida do homem. Não estou generalizando. Nunca generalizaria, porque em meu país, o Brasil, existem grandes poetas que, infelizmente, são vítimas de uma crítica e de um jornalismo cultural que prima pela sordidez. Por esse motivo, dediquei-me por 15 anos à poesia de Portugal. Fui buscar em Portugal, terra de meus pais, a poesia que me falta no Brasil. Tenho a sensação de que me salvei. Então vejo nesses dois prêmios a mim outorgados um reconhecimento de uma vida inteira dedicada a poesia séria e honesta em todos os sentidos e princípios que a própria poesia exige”.

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Em caso de litígio, o consumidor pode recorrer ao Centro de Arbitragem de Conflitos de Consumo do Distrito de Coimbra, com sítio em www.centrodearbitragemdecoimbra.com e sede em Av. Fernão Magalhães, Nº. 240, 1º, 3000-172 Coimbra
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