Digressões Interiores 2. 2011-2017

15,00€

de João Lourenço Roque

ColeçãoColeção Imagens de Hoje
GéneroCrónicas
Ano2017
ISBN978-989-703-182-3
IdiomaPortuguês
Formatobrochura | 244 páginas | 15 x 21 cm

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O tom suave e terno com que João Lourenço Roque escreve fascina, ao mesmo tempo que – mesmo no meio de alguma «tristeza» – nos transporta para um «estado de esperança», um novo amor sagrado pela terra que pisamos e faz crescer a vida... Como aquele texto de desejar ficar para sempre ali, olhando o Ocreza, ao cimo das oliveiras.
É um livro que faz bem ler: proporciona calma e dá paz interior...    JF

João Lourenço Roque

João Lourenço Roque nasceu, em 19 de Outubro de 1945, no lugar de Calvos,remota e quase perdida aldeia da Beira Baixa. Aldeia de pastores ecamponeses, quase à beira do rio Ocreza, afluente do Tejo.
Da terra natal (na freguesia de Sarzedas, concelho e distrito de CasteloBranco) rumou à cidade, onde decorreram e ficaram sete anos de juventude eestudos liceais.
De Castelo Branco partiu, aos 17 anos, com destino a Coimbra e ao futuro,carregado de sonhos e ilusões.
Estudou, ensina e aprende história naUniversidade.
De Coimbra a Castelo Branco, do rio Mondego ao rio Ocreza sevão tecendo e desfazendo os caminhos, as vivências e as memórias de ontem ede amanhã, na confluência de múltiplas razões e emoções.
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de: José d'Encarnação

SANFONINAS

 

O catedrático regressou às origens

Não, não vou escrever sobre esse, que é equiparado; escrevo sobre um verdadeiro, que o é desde 05-06-1991 e que, tendo-se aposentado, largou a Lusa Atenas e demandou o lugar de Calvos, na freguesia de Sarzedas (Castelo Branco), onde nasceu a 19 de Outubro de 1945. Exacto: João Lourenço Roque, que foi docente de História na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.

Uma vida, agora, de agricultor e de aldeão empenhado, que mensalmente vai retratando nas crónicas que envia para o Reconquista, de Castelo Branco. Retratos d’alma, retratos das gentes, apontamentos das vidas, reflexões que o dia-a-dia lhe proporciona… Pelos seus escritos perpassam os nomes de vizinhos e de familiares, conta-se dos muitos que vão fenecendo numa região privada de juventude… Os nomes: a prima Alice, o Ti Luís, a prima Maria Rosa... Não há já quem queira, na maior parte dos jornais locais, ter a secção de necrologia, seguramente a mais lida de todas; e João Lourenço Roque não hesita, também por isso, consciente ou inconscientemente, em dizer o nome de quem saudosamente partiu.

O ciclo da aldeia. O varejo da azeitona, a apanha dos tortulhos, o voo da cotovia, o primeiro sinal do cantar do cuco (ai, os tortulhos «coquedos» que já não prestam!…)… O desejo de um melhor viver para anciãos e não só. Os poços que são ratoeira e que importava sinalizá-los ou vedá-los. As noites de lobisomens, as bruxarias. O ronronar das gatinhas meigas, uma companhia quando outras já vão faltando. A importância enorme dos animais domésticos. As moças bonitas da cidade («Teus olhos é que me matam!»). As festividades tradicionais.

O mundo está, todavia, ali. Não apenas os versos de António Salvado ou as letras dos fados de Ana Moura, mas a tragédia do Chapecoense, o horror da estrada de Pedrógão Grande, a busca dos pokemons, o Marcelo que aparece agora todos os dias…

Se, ao longo das páginas destas «Digressões Interiores 2» (edição de Palimage, 2017), com 59 crónicas, de 2011 a Julho de 2017, João Roque não hesita em empregar a típica terminologia aldeã – atitude de muito aplaudir! – o certo é que não resistiu a, na crónica 52 (p. 219-222), esboçar eloquente glossário de termos próprios dali. «Chicolate», «braboleta», «linterna» serão, por exemplo, formas que noutras regiões se encontrarão, como deformação oral, mas quem há aí que saiba que escamunguer é estragar ou que infoucedo é… um fraco? O que o Povo sabe!...

 

José d’Encarnação

Publicado em Renascimento (Mangualde), nº 728, 01-04-2018, p. 11.