Idiomas da Diferença Sexual
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de Hélène Cixoux, Jacques Derrida

ColeçãoColeção Skiagraphia's
GéneroFilosofia
Ano2018
ISBN978-989-703-206-6
IdiomaPortuguês
Formatobrochura | 120 páginas | 160 x 230 cm

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Tradução de Fernanda Bernardo

 

«Escrita tinha voltado, a torrente, a fina torrente com braços cantantes, a correria do sangue nas veias entre os corpos, o diálogo sem palavras de sangue a sangue, sem nenhum sentido das distâncias, a correria mágica cheia de palavras mudas que corre de uma comuna a outra, de uma vida a outra, a estranha lenda inaudível a não ser pelo coração de um ou de outro, a narrativa tecendo-se lá em cima, quem o decifrará, ao tecido palpitante da clandestinidade. A escrita, este laço este crescimento, esta orientação tinha voltado. O espaço está de novo cheio de vozes, o corpo inteiro é coração.»

H. Cixous

 

«Quanto ao testemunho (testis, terstis), este terceiro que, deslizando sempre entre ti e ti,  entre si e si, deve insinuar a diferença sexual no duelo incestuoso, porque é que não se veria nele da essência da literatura mais secreta? Ou pelo menos a discrição imperceptível do seu lugar, da sua possibilidade intersticial? É assim que se lê e é assim que se escreve: segredo do segredo surpreendido a priori. Saber e não-saber. Sabe-se (o) que não se sabe e não se sabe (o) que se sabe [...] A diferença sexual, perguntar-nos-emos sempre… Mas é isso, à diferença sexual [...]»

J. Derrida

 

 

Jacques Derrida

Nascido em El-Biar (Argélia) em 1930, Jacques Derrida é um dos maiores filósofos da história da filosofia e, num dizer de Ricoeur datado de 2004, «o pensador mais criativo do nosso tempo» – o seu nome está ligado à Desconstrução, um pensamento de recorte aporético que, no reiterado dizer do próprio filósofo, está sempre do lado do sim, da afirmação da vida – e, portanto, incondicionalmente do lado da justiça, da invenção e do porvir. Professor convidado de diversas universidades norte-americanas a partir do Outono de 1968 (Johns Hopkins, Yale, Irvine, New School for Social Research, Cardozo Law School, New York University), sucessor da cátedra de Gadamer na Universidade de Heidelberg por designação do próprio filósofo alemão, J. Derrida foi Director de Estudos na École des Hautes Études en Sciences Sociales de Paris, onde ensinou até ao seu falecimento, em Outubro de 2004, e é autor de uma obra imensa a que entretanto se junta a edição em curso dos seus Seminários (um corpus vastíssimo constituído por umas 14 000 páginas impressas que se estima virem a corresponder a uns quarenta e três volumes) que, para além de desvelarem o incomparável rigor da «palavra professoral» do filósofo – que escrevia sempre os seus seminários –, e a intensidade da sua paixão pelo ensino, trarão seguramente, no dizer da «Introdução Geral» do seu primeiro volume editado, «incomparáveis complementos à obra publicada» [J. Derrida, Séminaire La bête et le souverain. Volume I (2001-2002), M. Lisse, M-L Mallet e G. Michaud (ed), Galilée, Paris, 2008, p. 11]. Uma obra imensa que, a partir da singularidade e da hiper-radicalidade do seu pensamento (que o filósofo distingue singularmente de filosofia dando-lhe um recorte irredutivelmente aporético que, aliás, se dá a ouvir na sua própria designação: des/construção), repensa todas as áreas do saber e das artes repensando também as diversas áreas que tradicionalmente compõem a filosofia (ontologia, ética, estética, filosofia política, …), incluindo a própria filosofia, e da qual, entre nós, se contam traduzidos os seguintes títulos – um quase nada que põe a nu o tanto que, para nós, há a fazer no horizonte temporal de uma União Europeia em formação e de um mundo dito em mundialização onde a única língua admitida só pode mesmo ser a da «tradução»: «A estrutura, o signo e o jogo no discurso das ciências humanas»; Posições; Margens da Filosofia; O outro cabo; A voz e o fenómeno; «Fé e saber»; De um tom apocalíptico adoptado há pouco em filosofia; Cosmopolitas de todos os países, mais um esforço! ; O monolinguismo do outro; Véus… à vela; «A língua do estrangeiro – Discurso de recepção do Prémio Adorno em Frankfurt; Che cos’è la poesia? ; Da hospitalidade; A Universidade sem condição; Força de lei; Políticas da Amizade; O soberano bem; Sob palavra. Instantâneos Filosóficos; Morada. Maurice Blanchot; «Auto-imunidades: Suicídios reais e simbólicos»; Aprender finalmente a viver; Carneiros. O diálogo ininterrupto: entre dois infinitos, o poema.F.B. 
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Hélène Cixoux

Hélène Cixous (1937-9 é uma das mais notáveis e singulares voxes da literatura francesa contemporânea — criadora, em 1974, dos Études Féminines na Universidade  - Paris VIII e Directora do seu Centre de Recherches en Études Féminines.

Hélène Cixous é autora de uma obra imensa, onde, a par de L'exil de James Joyce (1968), entretanto um clássico no mundo inteiro, se destacam obras como Le Prénom de Dieu (1967), Dedans (prémio Médicis 1969), Le livre de Promethea (1983), Souffles (1975), L'heure de Clarice Lispector (1989),  Jour de l'an (1990), Tambours sur la digue, (1999), Portrait du Soleil (1999), Insurrection de la pousière (2014) e Corollaires d'un voeu (2015). «Saber Ler é o título de Cixous» editado em Véus... à vela (2001) pela Editora Quarteto.

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